Editorial: Os dois anos de Clébio Pavone

24 de dezembro de 2018 às 10:29

No dia 1º de janeiro de 2019, o prefeito de Quixeramobim, Clébio Pavone (SD), completará dois anos que assumiu o compromisso de melhorar a vida dos quixeramobinenses, realizando serviços que vão desde a área da segurança pública ao entretenimento. No entanto, o cenário que se observa através dos relatos dos próprios moradores da cidade que é o Coração do Ceará, é totalmente diferente do que foi prometido durante sua campanha no ano de 2016.

Iniciando pela Secretaria de Assistência Social, uma das principais propostas de Clébio foi a criação do Bolsa Família Municipal, o que ainda não ocorreu. Levando em consideração que para criar tal benefício seria necessário o equilíbrio das contas públicas, o Bolsa Família Municipal não passa, atualmente, de uma utopia, pois o que se constata são atrasos salariais e alta insatisfação da população com o gerenciamento do dinheiro público por parte da atual gestão.

Adentrando em uma das principais pastas, que é a Agricultura, um dos motores que movimentam a economia da cidade, o que se observa é que as ações do Poder Público não têm caminhado muito bem no setor, sendo, uma das reivindicações da classe produtora de leite do município, a atenção da administração para o preço do leite, visto que essa não tem viabilizado discussões com outros órgãos, com o Governo do Estado, e até mesmo com a própria categoria. Eles justificam que o valor a que o leite está saindo da mesa do produtor é muito baixo, o que prejudica na manutenção de equipamentos e no sustento dos animais e das famílias. Quixeramobim é a maior bacia leiteira do Ceará.

No setor do Comércio, o prefeito prometeu em palanque que iria padronizar os boxes do Mercado Municipal. Localizado no Centro da cidade, o local é ocupado de forma desordenada. Há pessoas que vendem roupas e comidas, contudo, não há uma divisão para que sejam diferenciados os produtos. Alia-se a isso a questão de que, por conta do alto número de camelôs, o espaço para caminhar fica reduzido, tornando o acesso de pessoas complicado.

Até o momento em que este editorial foi lançado, a administração pública não realizou nenhuma mudança nestes pontos de venda, portanto, a população e os próprios vendedores que trabalham no local esperam, ansiosos e impacientes, que a gestão faça o que disse, a fim de dar mais valorização a estes trabalhadores.

Outrossim, é em relação a criação de um museu em Quixeramobim. A proposta estava diretamente ligada a Secretaria de Cultura. Infelizmente, a mesma foi aglutinada com a Secretaria de Educação, ato que foi bastante criticado à época, no caso, em 2017. No entanto, o excelentíssimo prefeito Clébio Pavone não está impedido de criar um espaço para valorização da história do município. Porém, o retrato atual mostra o Memorial Antônio Conselheiro, que deveria ser o principal ponto de exposição da história desta cidade, de portas fechadas, sem revitalização e, ainda, com registros de arrombamentos. Então, surge uma indagação: Se a administração não valoriza nem mesmo um local histórico, como teria respaldo para criar um museu?

Na Educação, a atual gestão também não deixou de errar, nem de cumprir promessas de campanha. Uma das mais aguardadas é a criação de Centro de Educação Infantil com atendimento noturno para mães que trabalham à noite. A proposta foi ovacionada durante o período eleitoral, por ser inovadora e trazer um conforto àqueles que utilizam, por necessidade, o período noturno para trabalhar e não têm com quem deixar seus filhos. Esta é mais uma decepção para os moradores que acreditaram no projeto de Mudança no Coração do Ceará. Ah! E o sonho da Escola Militar do Sertão Central talvez seja concretizado no governo Bolsonaro. Ou não. Tudo dependerá da boa articulação política do prefeito junta à Presidência da República.

Não bastasse isso, agora a pasta encontra-se sem secretário, visto que a 1ª Vara da Comarca de Quixeramobim acatou Ação Civil Pública (ACP) do Ministério Público do Ceará (MPCE), afastando o então titular Fernando Rony de Freitas Oliveira, que chegou a ser bastante elogiado por ter sido em sua gestão que o município alcançou o quarto lugar em Escolas Nota 10 no Estado. Além disso, a Justiça ordenou a realização de Concurso Público em até 180 dias.

Na ação, o MP apontou inúmeras irregularidades na realização do Processo Seletivo Simplificado, como desorganização nas inscrições, desvios na contagem de pontos para favorecimento de candidatos, conduta questionável do coordenador da seleção, nomeações que não seguiram a ordem de classificação, além de existirem mais de mil contratos temporários na Secretaria “sem os esclarecimentos necessários acerca das atividades desenvolvidas”.

Também aglutinada com a Secretaria de Educação, a área do Esporte encontra-se abandonada. A falta de investimentos e de apoio aos desportistas tem sido visível, fato que se comprova pela escassa divulgação da Prefeitura sobre ações relacionadas à área, sendo que, uma das propostas de Pavone, era criar campinhos de várzeas e realizar torneios entre bairros, o que também ainda não ocorreu. A partir disso, com a negligência do Poder Público, um dos principais impactos causados na vida dos quixeramobinenses, principalmente dos jovens, é a falta de desenvolvimento das relações socioafetivas, da comunicabilidade e a sociabilidade, aspectos provocados pela realização de práticas esportivas.

“Ampliar e melhorar a pavimentação da sede do município e dos distritos”. Foi esse um dos maiores legados ditos em palanque por Clébio, no entanto, a triste situação em que se encontra a pavimentação da cidade mostra totalmente o contrário: Calçamentos destruídos, ruas esburacadas e asfalto desgastado. A falta de cumprimento da promessa já causou muita dor de cabeça aos moradores do município, como pneus furados e acidentes. Contudo, nenhuma fatalidade foi registrada, mas, tudo que já ocorreu, serve de alerta para que a Prefeitura providencie a manutenção da malha viária da cidade, além da restauração das estradas vicinais, que ligam a zona rural a sede urbana. A ação é muito cobrada por quem utiliza os trechos, visto que, até o mês de outubro, ainda haviam comunidades que não tiveram suas estradas recuperadas.

Na Saúde é que o prefeito vem sendo mais criticado. Ao todo, já passaram três gestores pela pasta e, diga-se de passagem, nenhum conseguiu ordenar o caos do atendimento médico na cidade. Vale ressaltar que os profissionais da área foram os que mais deram apoio a Clébio durante sua campanha.

Nesses dois anos, foram relatos de Unidades Básicas de Saúde (UBS), tanto sede urbana como no interior, sem insumos, sem materiais de limpeza e sem médicos, fazendo com que, a população da zona rural procurasse atendimento na cidade, voltando, muitas vezes, para suas casas, sem recebê-lo. Não bastasse a defasagem que as unidades sofriam, as mesmas também foram alvos de arrombamentos, seguidos por furtos, decorrente da ausência de vigias noturnos. O Hospital Infantil teve sua emergência fechada em razão da retirada dos médicos que ficavam no plantão. As crianças passaram a ser atendidas no Hospital Regional Dr. Pontes Neto que registrou, por diversas vezes, superlotação no setor de emergência. O Hospital foi entregue a uma Organização Social sob articulação do Executivo Municipal, sem necessidade de votação na Câmara dos Vereadores. Além disso, os atrasos salariais dos servidores da Saúde, principalmente da Policlínica, estão se tornando constantes, sendo alvo de reclamações e indignação por parte dessa classe.

Um dos derradeiros pontos deste documento se refere, especialmente, aos garis responsáveis pela limpeza urbana de Quixeramobim, da Empresa Impacto. O assunto, diretamente ligado ao Meio Ambiente, é um dos mais polêmicos da cidade. Mesmo com um contrato milionário com a administração municipal, os problemas não deixaram de ocorrer, indo de lixo espalhado no meio da rua, até os atrasos salariais dos garis, que paralisaram suas atividades, em consequência disso, por quatro vezes: Nos dias 23 de janeiro, 1º e 21 de fevereiro e 17 de outubro.

E, por fim, chegamos a Segurança Pública, que teve sua Secretaria prometida e que, também, não foi criada. A intenção era aglutinar Defesa Civil, Autarquia Municipal de Trânsito de Quixeramobim (AMTQ) e o serviço do SOS sob o único comando da pasta, que abrigaria uma Guarda Municipal, mas tudo não passa, até o momento, de expectativa. Outro ponto que se arrasta há anos, e que ainda não teve uma atenção especial na Gestão Pavone, foi o funcionamento da Delegacia de Polícia durante 24 horas.

Mesmo que a questão não seja de responsabilidade da Prefeitura, caberia ao gestor municipal buscar o Governo do Estado para articular o pleno funcionamento do posto policial. A Delegacia funciona em dias úteis e durante o horário comercial, fazendo com que, muitas vezes, a população se desloque até a Delegacia Regional, em Quixadá, para prestar queixas, registrar boletins de ocorrência, dentre outros, gerando mais dificuldade no avanço de investigações para solucionar crimes e atender a população.

Chegado o terceiro ano de mandato de Clébio Pavone, a população anseia para que, nos próximos dois anos, os problemas criados pela atual gestão sejam solucionados e que o erário público municipal seja administrado com sabedoria. Caso isto não ocorra, o município continuará no mesmo marasmo que vem sendo relatado durante os últimos dois anos. É importante lembrar que os pontos destacados neste documento são poucos para as inúmeras promessas e descasos da administração municipal. Ao que parece, Clébio Pavone se preparou para chegar ao poder, porém, não para administrar.

Editorial do Repórter Ceará (Foto: Divulgação/PMQ)

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