Pomada desenvolvida a partir de água de coco pode ser usada para tratamento de feridas

10 de abril de 2019 às 16:58

Uma pomada produzida a partir de componentes da água de coco vem se mostrando eficiente na prevenção e tratamento de lesões de pele, como escaras e feridas diabéticas. O produto, desenvolvido pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), através do curso de Mestrado Profissional em Biotecnologia em Saúde Humana e Animal (MPBiotecé), resulta de uma pesquisa de 16 anos e passa, agora, por testes finais antes de ser disponibilizado para comercialização.

De acordo com uma das coordenadoras do estudo, a professora doutora Cristiane Mello, testes clínicos realizados no Centro de Diabetes (CIDH) apontaram redução de 21% no tempo de tratamento em pacientes com pé diabético após o uso da pomada, desenvolvida à base de água de coco em pó, além de um acréscimo em 12% na alta dos pacientes após seis meses de tratamento. Já uma segunda formulação do produto, segundo explica, age como uma camada protetora que previne o aparecimento de assaduras, úlceras e demais lesões.

Segundo Cristiane Mello, a principal motivação para o resultado foi acompanhar o sofrimento de pessoas diabéticas, com feridas que não cicatrizam, causando amputações e até a morte. “A ideia surgiu de uma demanda pessoal, por ter muitas pessoas diabéticas na família e ao longo do tempo eu perseguia essa história de ter uma pomada cicatrizante que fosse efetiva para diabetes também, pois não tem nada no mercado”, conta.

O tempo de aplicação em caso de uso como tratamento, de acordo a professora, vai depender de cada tipo de ferida. “Tivemos casos mais simples com cicatrização em dez dias, mas depende se a ferida está mais seca ou já infectada, se for ferida por queimadura ou outro tipo”, comenta.

Ainda conforme a pesquisadora, testes em conjunto com outros projetos deverão ser realizados a fim de descobrir meios de acelerar o processo de regeneração, como por exemplo, o uso da pomada com a pele de tilápia, já utilizada para tratamento de queimaduras. Chegando ao mercado, complementa Cristiane Mello, a customização do medicamento deverá ser realizado pelas farmácias de manipulação a partir da indicação clínica do paciente. “Cada especialidade da área médica vai demandar um tipo de formulação específica e a forma como deve ser aplicada”, afirma.

Repórter Ceará com informações do G1-CE

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