Com governo Bolsonaro, PT cede e deve fazer alianças inéditas para eleições municipais de 2020

8 de julho de 2019 às 17:51
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Diante do avanço das forças de direita no plano nacional, os partidos de esquerda que fazem oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro planejam alianças inéditas para a eleição municipal do ano que vem. Como sinal mais evidente desse movimento, pela primeira vez na História, o PT deve apoiar em primeiro turno candidatos do PSOL em disputas importantes.

São dadas como certas adesões dos petistas às candidaturas de Marcelo Freixo, no Rio, e Edmilson Rodrigues, em Belém. O PSOL foi fundado em 2004 por deputados que haviam sido expulsos do PT por se posicionarem de forma crítica ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Freixo deve disputar no ano que vem pela terceira vez a prefeitura de Rio. Nas duas vezes anteriores, teve os petistas como adversários. Em 2012, o partido de Lula se aliou a Eduardo Paes (PMDB), que saiu vitorioso já no primeiro turno. Em 2016, os petistas aderiram a Jandira Feghali (PCdoB) e só apoiaram o candidato do PSOL no segundo turno contra o atual prefeito Marcelo Crivella (PRB).

“Está bem encaminhado para apoiar o Freixo, só não digo que há consenso porque no PT não existe consenso. Mas uma ampla maioria caminha nesse sentido” afirma Alberto Cantalice, um dos vice-presidentes nacionais do PT.

Costuras em BH e Belém; Impasse em SP

No Pará, petistas devem apoiar Edmilson Rodrigues, que comandou Belém por duas vezes pelo PT (1997-2004). Em 2005, ano do escândalo do mensalão, mudou para o PSOL. Pelo novo partido, voltou a concorrer à prefeitura em 2012 e 2016. Nas duas vezes, teve o PT como adversário no primeiro turno e só contou com o apoio de seu ex-legenda no turno final (foi derrotado em ambos pelo tucano Zenaldo Coutinho).

O PT ainda prevê aliança em torno de Manuela D’Ávila (PCdoB) em Porto Alegre. Vice de Fernando Haddad na disputa presidencial do ano passado, Manuela já tentou se eleger na capital gaúcha em 2008 e 2012, quando teve candidatos do PT como adversários.A chapa encabeçada pela comunista também pode atrair o PSOL e o PDT.

Partidos de esquerda também costuram alianças em Belo Horizonte e Florianópolis. Nas duas cidades, já houve reunião entre representantes do PT, PSOL e PCdoB.

Walter Sorrentino, vice-presidente do PCdoB, acredita as alianças podem ser costuradas no bojo do alinhamento de pautas de oposição a Bolsonaro.

“É importante que os partidos conversem para encontrar uma convergência e 2020 pode ser um produto disso” disse Sorrentino.

Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL, diz que o quadro político atual é “totalmente novo”.

“Num contexto de governo Bolsonaro, é presumível que existam mais coligações. O PSOL antes ficava na oposição, e o PT, o PCdoB, o PDT e o PSB faziam parte do governo da Dilma (Rousseff)”.

Os partidos de esquerda, porém, enfrentam problemas na maior cidade do país. Nem mesmo o PT, que já governou São Paulo por três vezes, tem um nome forte para disputa local. Em agosto, o partido começa os debates para chegar a um candidato competitivo na cidade.

Por enquanto se apresentaram como pré-candidatos petistas os deputados Carlos Zarattini e Paulo Teixeira, o vereador Eduardo Suplicy e o ex-deputado Jilmar Tatto. O ex-ministro Aloizio Mercadante e o Fernando Haddad também são citados como possíveis nomes, mas ambos descartam totalmente a possibilidade de concorrer.

Repórter Ceará – O Globo

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