Luiz Gonzaga: 30 anos sem o ‘Rei do Baião’

2 de agosto de 2019 às 16:21

Se o “caba” é negro, pobre e nordestino, condená-lo ao anonimato é mais regra do que exceção. A não ser que esse mesmo “caba, negro, pobre, nordestino e arteiro” saia mundo afora vestido de cangaceiro, carregando uma sanfona para poetizar o Nordeste e exaltar o Sertão. Um contrassenso para quem sonhava em “(…) dormir ao som do chocalho e acordar com a passarada”, porque, apesar de viajante, Luiz Gonzaga se envaidecia em viver sua terra e encantar sua gente.“Ele foi um político na música”, brada a cantora e compositora Cristina Amaral. “Falar de Luiz Gonzaga é falar de uma nação, de um povo, da sua cultura”, reforça o poeta e cantador pernambucano Maciel Melo.

Há exatamente três décadas, o maior símbolo da música pernambucana e nordestina fez sua passagem. Na contramão do luto, esta sexta-feira de celebração. Porque à perda do Rei do Baião – e do xote, e do xaxado, e do arrasta-pé e dos tempos do ‘dois pra lá, dois pra cá’ – ficaram referências do filho de “Seu Januário” e de “Mãe Santana”, nascido numa sexta-feira de dezembro de 1912 em Exu, Sertão do Araripe.

“Ele carregava na indumentária toda a geografia de uma nação. Quando a gente olhava ele no palco, o que se via era um vaqueiro, um cangaceiro, um violeiro, um trabalhador”, complementa Maciel. “Deixou todo um legado que a gente continua, com uma história que começou com ele”, enaltece Cristina.

Com composições que permeavam a aridez do Sertão do Nordeste, o velho “Lua” contou a história da “Asa Branca” (1947) ao lado de Humberto Teixeira (1915-1979), seu parceiro também em “Assum Preto” e “Quem Nem Jiló”, entre outras do cancioneiro da dupla. Já ao lado de Zé Dantas (1921-1962), a mesma Asa Branca voltou e celebrou os “rios correndo, as cachoeira zoando, a terra moiada e o mato verde”, que riqueza!

“Gonzaga conseguiu se perpetuar na memória do povo pela verdade que carregava em sua música, pela capacidade de traduzir o comportamento do homem nordestino”, acrescenta Marcelo Melo, do Quinteto Violado, ao falar sobre a perenidade da obra de Seu Luiz, que, fisicamente, está registrada em letras de protestos e alegrias em pelo menos algumas centenas de discos gravados e outras tantas de canções ressoadas mundo afora.

O fato é que, com Seu Luiz, o Fole Roncou, se dançou Forró de Cabo a Rabo, o mandacaru fulorô na seca, Samarica Parteira teve sua história contada e o alfabeto da música popular brasileira teve que aprender um outro ABC, o do nosso Sertão.

Para reviver Gonzaga no Recife
Com a presença do Quinteto Violado, da cantora Bia Marinho e dos sanfoneiros Joquinha Gonzaga e Terezinha do Acordeon, o Cais do Sertão (Bairro do Recife) homenageia Gonzaga com shows levados pelo forró. E sob a regência do maestro Fernando Furtado, uma centena de crianças embala o clássico “Asa Branca”, encerrando a programação. O agito começa às 18h, com acesso gratuito.

Em Caruaru
Oficina com ritmos nordestinos no Museu do Barro, em Caruaru, abre a programação que celebra Gonzaga, às 9h, em mais uma edição do “Tributo ao Rei do Baião” na Capital do Forró. Já na Câmara de Vereadores do município, palestras, debates culturais e apresentações musicais completam a celebração.

Em Petrolina
Sob a batuta do sanfoneiro Luiz Rosa, Petrolina, no Sertão pernambucano, promove Sanfoneata no centro do município, a partir das 7h30. Quadrilha junina e tocadores de outros estados do Nordeste também integram a programação.

Em Igarassu
O município da Região Metropolitana do Recife (RMR) renderá homenagens a Luiz Gonzaga com missa celebrada às 8h no Convento de Santo Antonio, Sítio Histórico da cidade. Em seguida, às 9h30, o local recebe a exposição” “De Escoteiro a Rei do Baião”, com cerimônia de entrega do título póstumo de Escoteiro Honorário. Acesso gratuito.

Repórter Ceará com FolhaPE

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