Delegado, inspetores e agentes penitenciários são demitidos por extorsão, furto e assédio sexual

29 de agosto de 2019 às 11:37

Dois agentes penitenciários e 10 policiais civis, entre eles, um delegado, oito inspetores e um escrivão, além de um perito criminal foram demitidos por envolvimento em extorsão, assédio sexual no trabalho, relação sexual com detentas e até envolvimento com furto de gado. As demissões foram divulgadas nesta quarta-feira, 28, no Diário Oficial do Estado.

As investigações apontam que, no dia 18 de dezembro de 2010, por ocasião da prisão de um homem, o delegado com a ajuda de um inspetor da Polícia Civil arbitraram fiança de R$ 530,00 e, oficialmente, o dinheiro recolhido foi de R$ 180,00. Segundo as investigações da Controladoria Geral de Disciplina (CGD), o preso afirmou que havia sumido de sua carteira o valor de R$ 220,00. O caso aconteceu na Delegacia Metropolitana de Maracanaú.

No caso dos policiais civis, o fato mais grave foi registrado no município de Pacatuba, em dezembro de 2015, em que quatro inspetores extorquiram R$ 10 mil da família de um preso. Conforme o relatório que se encontra no Diário Oficial, caso a família do preso não conseguisse o dinheiro, os agentes “simulariam uma situação de flagrância em seu desfavor, o que justificaria a prisão em flagrante”. Além de crime de extorsão, o preso teria dito para que fora agredido pelos inspetores.

Em outro crime envolvendo agentes da Polícia Civil, um inspetor estaria repassando dados sigilosos de operações policiais a membros de facção criminosa envolvida com furto de gado, ocorridos entre os anos de 2013 e 2014, no município de Santana do Acaraú, na Região Norte do Ceará. Tudo foi descoberto graças ao compartilhamento das interceptações telefônicas autorizado pela Justiça.

E por fim, dois inspetores foram demitidos em razão da suposta prática de transgressão disciplinar. Segundo relatório da CDG, em 2013, quatro homens armados, utilizando um carro do 35º Distrito Policial, invadiram a residência de um homem suspeito de guardar no interior da casa drogas e que teria ameaçado a própria mãe.

Dois inspetores teriam visto mercadorias e pedido notas fiscais. Por não haver as devidas notas fiscais, os inspetores exigiram R$ 20 mil para não efetuarem a prisão do homem. Ainda segundo o relatório, os inspetores teriam encontrado e apreendido a quantia de R$ 10 mil e um relógio no valor de R$ 4 mil.

Agentes penitenciários, perito criminal e escrivão

No caso dos agentes penitenciários, o mais grave aconteceu em Uruburetama, na Região Norte. Um agente foi flagrado em 2014 com uma detenta no interior do seu alojamento com a porta fechada, e somente abriu a referida porta após insistência do promotor de Justiça da Comarca de Uruburetama.

“O AGP demorou cerca de um minuto para atender à solicitação do representante do Parquet (Ministério Público), e ao abrir negou a presença da detenta no local, oportunidade em que fechou a porta, mas com a insistência do Ministério Público, depois de cinco minutos, abriu novamente, ocasião em que fora localizada a detenta escondida no local”.

Um outro agente penitenciário teria deixado de comparecer ao serviço, sem causa justificada, nos meses de abril e maio de 2014, na CPPL II, em Itaitinga. O mesmo agente foi transferido para Cadeia Pública de Pentecoste e também não compareceu ao serviço.

E um perito criminal foi demitido por supostamente importunar mulheres em seu local de trabalho, no posto de identificação civil, na cidade de Brejo Santo, na Região do Cariri do Estado. De acordo com autos do processo criminal, quatro jovens foram vítimas por parte do perito criminal.

E no município de Itaitinga, um escrivão cometeu transgressões disciplinares por se apropriar de R$ 2.700 apreendido nos autos do Inquérito Policial e da quantia de R$ 105,00 referente a um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). O fato aconteceu na Delegacia de Itaitinga em julho de 2013.

Repórter Ceará com informações do G1-CE

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