Editorial: Os prefeitos sem vices

20 de setembro de 2019 às 09:17

Quixeramobim e Quixadá, as duas maiores cidades do Sertão Central, observaram seus prefeitos e vices romperem relações políticas em menos de 4 anos de mandato. Dois ‘casamentos’ falidos dentro dos poderes executivos de ambos os municípios. De acordo com as partes, as razões são diversas, partindo de alegações de distanciamento político após o pleito eleitoral, até acusações de traições em momentos específicos.

Em Quixeramobim, a coligação “Mudança Já no Coração do Ceará” obteve o total de 24.026 votos (54,33%), colocando Clébio Pavone (SD) no cargo de prefeito e Marcos Rogério (PROS) na vice-liderança do Executivo do município. Não demorou muito, no entanto, para que Rogério se declarasse insatisfeito com a gestão. Começou com uma nota tímida, em 31 de outubro de 2017, afirmando que tinha “participação limitada dentro” da gestão, para, mais tarde, em 9 de março de 2018, alegar que “nunca” fez parte do Governo.

A questão teve seu ápice, quando o PR Municipal, sob liderança de Pedro Paulo Araújo Chagas, lançou nota, afirmando que o prefeito estaria afastado e não deu a devida atenção ao partido durante a tomada de decisões. De lá para cá, Clébio não se pronunciou sobre o rompimento com seu vice.

Em Quixadá, a troca de farpas entre o prefeito Ilário Marques (PT) e seu vice, João Paulo Menezes (Patriota), eleitos pela coligação “Mais Quixadá”, com 25.469 votos (54,94%), foi evidenciada recentemente, quando o petista foi afastado da Prefeitura, em agosto de 2018, em razão da Operação Casa de Palha. Na ocasião, João assumiu o Executivo Municipal interinamente.

Ilário chegou a chamar João Paulo de traidor. João, por sua vez, chamou Ilário de ditador. Contudo, o fim do relacionamento político dos dois se deu antes do afastamento de Ilário, por conta, de acordo com o próprio vice, “pela forma do abandono que estava a cidade e por não concordar com muitas coisas”.

Fato que se constate, em nenhum dos casos, houve mais benefício para a população das duas cidades. Isso, porque, do ditado popular “a união faz a força”, a desunião traz a fraqueza e, em suma, os mais prejudicados foram os munícipes, que assistem, de camarote, o desatar do nó que o divórcio político causou.

Inclusive, as eleições municipais de 2020 evidenciarão o caminho tomado por cada uma das partes envolvidas. Entre aliados, os comentários são de que Ilário pretende ser reeleito, contudo, por outras razões, pode vir a apoiar o nome de Rachel Marques.

Do outro lado, João deixou subentendido, em entrevista, que pretende se candidatar. Aliás, Ricardo Silveira (MDB) seria seu nome de apoio, segundo especulações, ou seja, o vice estaria em contato com o maior opositor a gestão de Ilário Marques.

Em Quixeramobim, Clébio já declarou que pretende ser candidato à reeleição. Rogério, por sua vez, não demonstrou, até o momento, interesse explícito na Prefeitura. No entanto, já chegou a declarar que estaria pronto para assumir caso Clébio fosse afastado, na época da votação do terceiro processo de impeachment contra o prefeito.

Ao que parece, águas ainda rolarão e o ‘divórcio’ político deverá ser resolvido no litigioso.

Editorial do Repórter Ceará

Compartilhar...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Os comentários estão fechados
Anúncio
Mídia Kit

Anuncie no Repórter Ceará

Baixe o Mídia Kit


Contato: jornalismo@sistemamaior.com.br

Entendendo A Notícia
Curta nossa página
Escute ao vivo
SerTão TV
Visite-nos
Tempo