Editorial: Vereador não é assistencialista, mas ainda faz os eleitores pensarem dessa maneira

1 de outubro de 2019 às 17:33

Pertencentes a maior classe política do Brasil, com mais de 50 mil no País e mais de 2 mil no Ceará, os vereadores são parlamentares que tem o objetivo de fazer a ponte entre o Poder Executivo e a sociedade, propondo soluções através de projetos e fiscalizando as ações da administração municipal, contribuindo, assim, para o crescimento de um município. No entanto, o papel dos mesmos se alterou e, hoje, sua figura é atrelada a ideia de assistência social.

O vereador passou a ser visto como figura de favores, para quem a população recorre quando precisa suprir suas necessidades individuais. Isso ocorre de forma mais intensa nos municípios interioranos, onde os políticos tradicionais angariam votos, muitas vezes, através de promessas que não visam o bem comum, mas para o bem individual ou de si próprio. No caso, sendo eleito para o Legislativo.

A palavra “vereador” vem do grego “verea”, que significa vereda, caminho. Portanto, a partir da prática supracitada, que ocorre no período eleitoral, a ideia de que o parlamentar é somente alguém que alcançou um cargo público para prestar favores individuais, como conseguir um emprego para determinadas pessoas, por exemplo, fica ainda mais enraizada na sociedade, dificultando que o significado do nome do cargo seja realmente implementado. Trata-se de uma mudança de valores, onde os populares se tornam iscas eleitorais.

A divulgação das ações parlamentares, no entanto, são fortes aliadas para que os munícipes vejam, de fato, como está o desempenho do seu vereador, como o trabalho da Câmara está sendo desenvolvido e se os projetos atacam os problemas sociais presentes no município. Serve como monitoramento, onde a população passa a ser devidamente engajada em seu papel político e compreende, através da consciência individual, os benefícios do bem coletivo.

É importante, também, lembrar que o vereador não executa nada no município. Sua função, dentro da divisão de papéis políticos, é fiscalizar. Portanto, observando que em 2020 serão realizadas as eleições para escolha destes parlamentares e prefeitos, é preciso ter atenção aos discursos, para que nenhum vereador possa dizer, com toda a convicção, que “mandará fazer” algo. Este poder pertence somente a Prefeitura, que controla o dinheiro. O máximo que pode ser feito é uma orientação sobre onde a obra deve ser realizada ou onde o recurso deve ser investido, sem beneficiamento ou desmerecimento de vereadores, mas, de acordo com a necessidade dos moradores.

A ideia de que o parlamentar deve ajudar as pessoas realmente existe, mas com ações que visem a promoção do bem-estar social pelo Poder Executivo. Esta é a ideia correta, dentro da Política, do vereador assistencialista. Ou seja, aquele que ouve a população e cobra medidas para solucionar seus problemas.

Editorial do Repórter Ceará (Foto: Reprodução/Internet)

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