Editorial: Brigas nas Câmaras são o retrato do desrespeito com o Legislativo

8 de outubro de 2019 às 20:54

Apesar de ser um espaço de discussão de ideias que venham a beneficiar a população, as Câmaras Municipais, por vezes, se tornam palco de discussões destemperadas, quando palavras de baixo calão são proferidas ou agressões físicas são desferidas entre os presentes.

O exemplo mais recente que se pode relatar é o de Caucaia, quando vereadores, nessa segunda-feira, 07, discutiam o papel da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) formada para apurar irregularidades a partir da decretação de “Estado de Emergência Administrativa” pelo prefeito do município, Naumi Amorim (PSD). Na ocasião, Enéas Góes (PTC), aliado do gestor, chamou o relator da Comissão, Jorge Luís (PROS), de “mercenário”, dando início a um bate-boca, que quase resultou em agressão física.

Em Quixeramobim, no Sertão Central, no dia 25 de outubro de 2017, um popular que assistia a sessão, jogou uma cadeira dentro do plenário enquanto o suplente de vereador Aucélio Coutinho discursava. Em outro caso, ocorrido em 24 de janeiro de 2018, conhecido como “A bolsa do Everardo”, um tumulto se instaurou quando o vereador Everardo Júnior acusou o vice-prefeito Sargento Rogério de invadir sua privacidade ao fotografar sua mochila, que continha uma quantia em dinheiro, a qual o parlamentar alegava ser seu salário. O assunto foi parar na Delegacia de Polícia Civil do município.

Em Madalena, também no Sertão Central, o vereador Paulo Ribeiro da Rocha, no dia 07 de fevereiro deste ano, se envolveu em discussão com populares após ser acusado de usar um atestado médico falso. O parlamentar foi contido por outras pessoas que presenciaram a discussão.

Os casos, porém, não ocorrem somente no Ceará, já que em abril e julho deste ano, em Macapá (AP) e em Timon (MA), respectivamente, as sessões plenárias foram encerradas em razão de agressões entre os vereadores presentes.

Em todos os casos, fica evidenciado o desrespeito com o Legislativo Municipal, onde a ética parlamentar, o decoro e, principalmente, a educação são deixados de lado e dão lugar ao ego e a raiva, mostrando parlamentares, antes tranquilos e pacíficos, se transformando em seres que esbravejam palavras de ódio, xingamentos e desprezam a dignidade humana usando da violência.

Além disso, a influência também vem do alto, já que o Congresso Nacional (Senado Federal e Câmara dos Deputados) é palco de discussões que já chegaram a agressões verbais e tumultos muito maiores, transmitindo a imagem de, ao invés de Casa do Povo, octógono de UFC.

Os parlamentares já sabem onde estão “colocando o pé” quando se candidatam. A partir daí, quando eleitos, sua postura deve ser equilibrada. Não se elegem seres irracionais para cargos tão importantes. Tudo isso já é de conhecimento geral, mas, ao que parece, é esquecido por alguns que ocupam o poder.

Enquanto isso, a população espera temas importantes serem discutidos, mas, por vezes, presencia brigas desnecessárias.

Consciência é a palavra de ordem.

Editorial do Repórter Ceará

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