Após mirar Receita, Lava Jato apura se PF e MP receberam mesada de doleiro

24 de outubro de 2019 às 12:33
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A Lava Jato do Rio de Janeiro quer esclarecer as suspeitas de corrupção envolvendo órgãos públicos que integram a própria operação.

Depois de prender membros da Receita Federal, a força-tarefa voltou-se à investigação de uma suposta proteção dada pela PF (Polícia Federal) e também pelo MP (Ministério Público) a um denunciado na operação, o doleiro Dario Messer.

Ele está preso desde o final de julho e é acusado de comandar uma rede de operadores financeiros responsável pela lavagem de US$ 1,65 bilhão (cerca de R$ 6,4 bilhões) para corruptos investigados na Lava Jato.

Em busca de informações sobre o caso, o MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro) convocou o próprio Messer a depor na sede do órgão no último dia 8.

Mesada de R$ 200 mil

Dois operadores que já trabalharam para Messer, conhecido como o “doleiro dos doleiros”, afirmaram em delação premiada feita ao próprio MPF-RJ que pagaram US$ 50 mil por mês (mais de R$ 200 mil, na cotação atual) entre 2005 e 2013 para que ele fosse protegido de operações da PF e do MP.

As delações não especificam que delegacias da PF ou órgãos do MP teriam protegido o doleiro. Também não citam casos em que a proteção ocorreu.

Segundo os delatores, os pagamentos da suposta taxa de proteção foram feitos ao advogado Antonio Figueiredo Basto, que já defendeu Messer. Basto, entretanto, nega veementemente ter recebido qualquer valor para negociar uma suposta proteção ao seu ex-cliente.

“Já entreguei espontaneamente meu sigilo fiscal, telefônico e telemático a autoridades”, disse ele, a respeito da investigação. “Esclareci todos os fatos.”

Em busca de informações adicionais, entretanto, o procurador da República Almir Teubl Sanches, que integra a força-tarefa da Lava Jato no Rio, chamou Messer a falar. O doleiro foi questionado se a tal taxa de proteção realmente existiu e se foi destinada a alguma autoridade pública.

O depoimento de Messer foi gravado, mas seu conteúdo é sigiloso. O advogado do doleiro, Átila Machado, disse que seu cliente ficou calado enquanto ouvia as perguntas dos procuradores.

“Messer ficou em silêncio”, afirmou Machado. “Isso prova também que ele não está fazendo uma delação premiada.

“Procurado para dar mais informações sobre a investigação da suposta proteção, o MPF-RJ informou que ela é um “procedimento sigiloso” e que “não tem nada a comentar sobre o assunto”.

Repórter Ceará com UOL

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