Aluna forjou narrativa de estupro para se vingar de universitário, diz Polícia

1 de novembro de 2019 às 17:31

A adolescente de 17 anos que afirmou ter sido estuprada por um estudante da Universidade Federal do Ceará (UFC) forjou uma narrativa de estupro por “vingança”, de acordo com a delegada Arlete Silveira, titular da 12ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Para a investigadora, a “farsa muito bem montada até atrapalha a chegada ao autor do verdadeiro estupro”. O estudante que era considerado suspeito teve a prisão preventiva revogada.

A Polícia Civil recebeu três denúncias de estupro cometido pelo mesmo aluno. Duas delas são falsas, conforme a delegada. No caso que segue em investigação, uma aluna afirma que foi vítima de estupro coletivo dentro da UFC. Conforme o depoimento dela, dois homens a seguraram enquanto um terceiro a estuprou, em abril deste ano.

Em um dos relatos em que uma adolescente admitiu ter sido forjado por “vingança”, a garota disse ter sido vítima de crime sexual em via pública.

“Elas [alunas que inventaram um falso estupro] relataram outras situações de violência do passado, que são de onde vem a vingança, mas que não justificam de forma nenhuma execrar outra pessoa. O rapaz não tem nada a ver com a história. Foi uma vingança porque ele representou, simbolizou, toda uma dor coletiva, um caos coletivo, e ali julgaram ele”, explica a delegada, considerando que as jovens “prestaram um desserviço às mulheres”, disse a delegada.

Prisão e soltura de universitário

Diante das acusações, um universitário ficou preso durante seis dias, em uma delegacia no Bairro de Fátima. Porém, na tarde de quinta-feira, 31, a Justiça Estadual revogou a prisão do jovem após pedido da própria Polícia Civil e ele foi solto. “A gente tem a missão de protegê-lo. Houve um linchamento virtual”, afirma Arlete Silveira.

Para forjar a narrativa do estupro, a adolescente criou duas contas falsas na rede social Instagram e passou a enviar ameaças para ela mesma, mas atribuindo-as a um universitário. Contudo, conforme a delegada, nenhum rastro foi encontrado nos aparelhos eletrônicos do estudante. Já nos da jovem, a polícia encontrou.

Uma das mensagens dizia: “nós se encontra já, ainda bem que ‘tá’ de saia já ajuda no trabalho, tem gente te seguindo aí dentro gatinha, acho bom você ficar esperta”. Por outro perfil, ela enviou: “cansei de brincadeira. Se eu te pegar sozinha pelo Pici, não vai ter perdão eu vou fazer o que eu sempre quis com você”.

Investigação

Em nota emitida na semana passada, a UFC informou que abriu sindicância para apuração e adoção de “providências cabíveis”.

“Ao mesmo tempo em que repudia, veementemente, todo e qualquer ato de violência, a UFC informa que o procedimento de sindicância é realizado sob sigilo, a fim de preservar os nomes das vítimas e de não prejudicar as investigações”, declarou a Universidade.

Além disso, a instituição afirma que vai redefinir a logística de segurança e reavaliar o posicionamento de postos de vigilância no campus do Pici, além de ampliar as condições de iluminação e substituir lâmpadas em determinadas áreas do local.

Repórter Ceará com informações do G1-CE 

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