Editorial: Barragem de Quixeramobim – O descaso e a falta de responsabilidade de anos

7 de março de 2020 às 19:55
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No centro dos debates sobre a questão hídrica de Quixeramobim, a barragem está nos holofotes. Sua situação representa o descaso e a falta de responsabilidade da administração pública, da Câmara dos Vereadores, dos órgãos de gerenciamento do reservatório. Atualmente, ela está com acúmulo de sedimentos em seu leito, impedindo que possa comportar mais de 7,8 milhões de metros cúbicos de água.

Após secar em 2020, a construção de comportas, a instalação de uma adutora que ligue o Açude Fogareiro à sede urbana do município e, principalmente, o desassoreamento do reservatório são temas recorrentes que já deveriam ter sido pautados antes mesmo da barragem secar em outubro de 2015, pela primeira vez na história, permanecendo nessa condição até o dia 11 de abril de 2018.

É inexplicável que, durante todo o período de existência da barragem, nem a Gestão Municipal e nem os vereadores tenham discutido medidas para aumentar a capacidade do reservatório, a fim de dar um certo “conforto” hídrico para os munícipes. E isso não é especulação, é fato. Afinal, Quixeramobim está, novamente, no mapa da seca.

Por estar no semiárido nordestino, é evidente que o município possui inverno irregular de fevereiro a maio, temperaturas altas e umidade relativa baixa no segundo semestre de cada ano e altas taxas de evapotranspiração, ocasionando perda excessiva da água presente no solo, vegetação e nos mananciais da região. Contudo, quando a barragem quase transbordou há dois anos, os quixeramobinenses ficaram esperançosos que a água abasteceria suas residências durante anos. Porém, em pouco mais de um ano, o reservatório secou, causando confusão no abastecimento e revelando a falta de responsabilidade no gerenciamento, que se reflete na ausência de um Plano Municipal de Recursos Hídricos.

Não adianta erguer Quixeramobim à glória de ser a maior bacia leiteira do Estado ou ocupar o centro do território cearense, se não há água para sustentar a segunda maior economia do Sertão Central. Hoje, a cidade depende de poços artesianos e da água do Açude Pedras Brancas, transportada através de adutora que liga o reservatório à Estação de Tratamento (ETA) do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE).

Com tudo isso, as questões sobre o que fazer com a barragem e como dar segurança hídrica para a cidade são levantadas aqui e ali, sem um ponto central de discussão. Ou seja, se o reservatório vai ser desassoreado, se serão construídas comportas para aumentar a parede em cerca de dois metros e se a Prefeitura e os governos Estadual e Federal têm planos para atenuar o problema e quais impactos serão acarretados na economia, não se sabe, pois a situação não é tratada com a devida dimensão que tem, já que não chegou a ser pautada pelos representantes de Quixeramobim em nenhuma instância Legislativa ou Executiva do município, do Ceará e do País.

Enquanto ninguém discute o assunto, com a barragem seca, a cidade padece com a irregularidade para que a água chegue nas torneiras dos moradores e com representantes que paralisam diante da problemática, reaparecendo, somente, em período eleitoral.

Quixeramobim já teve períodos hídricos abundantes. Hoje, com a barragem sofrendo uma degradação lenta e gradual, não se sabe até quando os batimentos do Coração do Ceará continuarão fortes. Resta esperar.

Editorial do Repórter Ceará (Foto: Augusto Alves/SMC)

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2 Comentários
  1. Antonio Henrique Martins Machado disse:

    É muito fácil quando tudo se volta para comentários que esta no centro das atenções, o problema da nossa Barragem já e muito antigo desde a enchente de 1974 que trouxe junto com a grande enxurrada veio junto todo tipo de Mazelas, troncos de árvores, animais , mobílias, muita arreia, lama etc…, dai é que teria de ter sido feita uma dragagem uma limpesa profunda na base da parede e nas suas margens , mas nunca houve essa preocupação, outra coisa que deve ser feita com urgência e uma vistoria na ponte porque a ferragem já estão a amostra , a Barragem além de ser a nossa principal fonte hídrica e também a principal entrada e saída do fluxo rodoviário e nosso principal cartão postal, e só veem ela na época de política e só pensam em paleativos, decorações que não leva a nada, meu povo nos temos que enxergar que nossa cidade está retribuindo, vamos abrir os olhos e lutar por ela sempre é não só ficar em debates político de quem fez ou deixou de fazer vamos olhar pra frente começando pelas nossas riquezas e a Barragem e uma delas .

  2. José Roberto Almeida dos Santos disse:

    Bom dia

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