Editorial: A fé pregada por Santo Antônio que supera barreiras durante a pandemia

31 de maio de 2020 às 10:51

Os festejos a Santo Antônio acontecem em um momento incomum, onde a distância se tornou mecanismo de defesa e a fé passou a ser professada de dentro das residências, longe da aglomeração das igrejas. Hoje, 31 de maio, os cortejos do Ceará em alusão ao Santo Casamenteiro, principalmente em Barbalha e em Quixeramobim, iniciam a transformação dos seus costumes.

Antes, de dentro da igreja, os fiéis acompanhavam os sacerdotes presencialmente. Agora, os telespectadores assistirão todas as celebrações de suas casas, evidenciando o que a pandemia ajudou a mostrar: A importância da fé individual, vivida no íntimo e conhecida pelo próprio eu.

Diante de bancos vazios, cenário desolador para os sacerdotes que sempre tiveram a presença da população de forma mais acentuada em momentos festivos, os padres terão o dever de transmitir, com a mesma veemência ou superior, a história de fé, piedade e humildade de São Antônio de Pádua.

As ruas não terão as grandes movimentações. Pela primeira vez na história, o barracão não estará montado para ofertar comidas típicas. Não haverá quermesses, nem feiras populares e nem visitantes. Tudo isso foi adiado para o segundo semestre de 2020 e, em uma perspectiva otimista, poderá acontecer.

A decisão de manter as trezenas não é equivocada. É reconhecer a importância da religiosidade no momento mais sombrio do século XXI e dar momentos de paz a quem é minado, rotineiramente e em boa parte das 24 horas diárias, com notícias pouco agradáveis, oriundas de campos distintos da saúde e instalando, ainda mais, o sentimento de preocupação na população.

Assim, fazendo com que os fiéis se recolham e se voltem para sua espiritualidade, a fé passa a ser fortalecida e surge a esperança, de dias melhores, em Deus, na ciência e na humanidade, pelas boas ações, pela caridade, empatia e amor ao próximo.

Nesse processo de crescimento espiritual, pela primeira vez, em tempos festivos, longe das quatro paredes das igrejas, os fiéis passarão a entoar cânticos e orações de suas residências, se reunindo em um coral, ainda que individual, uníssono, derrubando as barreiras impostas pelo isolamento e mantendo a fé no amanhã.

Que se possa dar “Viva Santo Antônio!” com o mais fervoroso bradar que os festejos já viram.

Editorial do Repórter Ceará

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