O que dizer de um SER TÃO peculiar

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
20 de setembro de 2020 às 07:00

O SERTÃO é esse lugar onde nós vivemos e do qual recebemos as influências no corpo e na alma. Ele tem muito simbolismo e significados diversos. SERes TÃO ligados entre si que formam um mundo próprio, imprimindo a marca do enfrentamento e da resistência.

Esse é o deSERTÃO que os colonizadores recearam enfrentar, mas aqui vieram para encontrar os campos livres, criar seu gado e descobrir um Reino Encantado – o Mundo da CAATINGA, que demonstra toda divindade da Mãe Natureza quando suas xerófitas sofrem a mutação de folhas em espinho, se a água lhes falta. Assim o Verde vira Cinza e aguarda as primeiras gotas preciosas vindas do Céu para renascer na cor da Esperança de sua boa gente de muita Fé.

A diversidade de um Ecossistema único, com uma flora de arbustos e herbáceas, forma a paisagem povoada por Super-Humanos: OS SERTANEJOS que são antes de tudo uns fortes, já descobrira Euclides da Cunha, em seu relato sobre a epopeia vivida pelo quixeramobinense Antônio Vicente Mendes Maciel – O místico Conselheiro que formou o Arraial de Canudos. Seu “alicerce” são as rochas do cristalino, como cristalizada é a cultura dos aboiadores, vaqueiros, violeiros e poetas do repente, cordelistas, artesãos, rezadeiras e os sanfoneiros que continuam a propagar nosso Universo como fizeram o Rei Luiz LUA Gonzaga e o Príncipe Dominguinhos.

Os leitos de rios, na maior parte do ano ficam secos como a pele do Sertanejo e viram caminhos, assim como foram no tempo das incursões pelos exploradores vindos da Zona da Mata. Todos os espelhos d’água se tornam “palcos rachados”, onde surgem cacimbas para mitigar a sede humana e do rebanho. E a infância esquece as brincadeiras e monta no lombo do “jumento nosso irmão”, buscar o precioso líquido onde ele restar.

O Sertanejo que nunca se entrega, ampara seus animais, levanta seu gado, irmanados na dor que advém da fome e da sede; mas nunca se sente vencido. Migra temporariamente, caça e reza pedindo a Deus pra chover um pouquinho para o Mandacarú “fulorá” e a Asa Branca poder voltar pro seu Sertão. E, solidárias ao Homem, as árvores abrem seus galhos desfolhados, como braços abertos em oração.

Foto: Tarcísio Filho

Confira mais artigo da coluna de Terezinha Oliveira clicando AQUI.

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