O Nordeste na música

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
5 de outubro de 2020 às 08:00

O Nordeste do Brasil é dividido em 9 Estados e tem várias paisagens: litoral, zona da mata, agreste e sertão. Se unifica pelo misticismo, simplicidade, pureza e solidariedade do seu povo. A pobreza socioeconômica da Região contrasta com a riqueza cultural que se explica talvez pelos fortes sentimentos que ligam as pessoas à religião e ao seu Meio: terra, animais e símbolos.

A geografia está nas músicas; destaquei nesse texto algumas que se referem aos Macros Ambientes onde vivem o nordestino.

Esta é a maior expressão do cancioneiro litorâneo:

PRECE AO VENTO – a letra escrita pelo pernambucano Gilvan Chaves e o potiguar Luiz da Câmara Cascudo (filho do grande folclorista) foi musicada pelo pianista Alcyr Pires Vermelho e gravada em 1954 pelos cearenses do Trio Nagô.

“Vento que balança as palhas do coqueiro
Vento que encrespa as ondas do mar
Vento que assanha os cabelos da morena
Me traz notícia de lá
Vento que assovia no telhado
Chamando para a lua espiar ô
Vento que na beira lá da prai
Escutava o meu amor a cantar …….”

Em extensa faixa desse Litoral a Mata Virgem cedeu lugar aos Canaviais; os sons vinham do gemer dos Carros de Boi, dos lamentos na Senzala e da Moenda no Engenho que produz Açúcar:

O GEMEDOR – baião de Gilvan Chaves fala de um símbolo.

“Carro de boi que não geme, não é bom
Carro de boi bom é o gemedor
Carregadinho de cana de açúcar / Açúcar pra fazer mel
Pra fazer rapadura e fazer mel / Pro doutor ganhar dinheiro
E comprar chevrolet
Carro de boi que não geme, não é bom …..” (bis)

O vasto Sertão é quem mais inspira os compositores, por suas peculiaridades paisagísticas, climáticas e culturais. Do seu universo extraímos esse clássico:

LUAR DO SERTÃO – toada de João Pernambuco e letra do maranhense Catulo da Paixão Cearense que fala da natureza, simplicidade e beleza das noites sertanejas. 1ª gravação em 1914.

“Não há, ó gente, ó não Luar como esse do sertão …(bis)
……Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção e a lua cheia a nos nascer do coração ….”

Em meio ao Sertão algumas elevações surgem e ao seu redor vive um povo alegre e trabalhador. Mesmo quando viajam nunca esquecem o seu torrão:

NO MEU PÉ DE SERRA – uma composição de 1946; parceria de Gonzagão e Humberto Teixeira.

“Lá no meu pé de serra / Deixei ficar meu coração
Ai, que saudades tenho Eu vou voltar pro meu sertão
No meu roçado trabalhava todo dia
Mas no meu rancho tinha tudo o que queria
Lá se dançava quase toda quinta-feira
Sanfona não faltava e tome xote a noite inteira ….”

A fonte de inspiração é inesgotável e os talentos surgem a cada nova geração. Certamente o legado de Luiz Gonzaga,
Humberto Teixeira, Gilvan Chaves, Dominguinhos e tantos outros terão continuidade nesse pedaço do Brasil.

Confira mais artigos da coluna de Terezinha Oliveira clicando AQUI.

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