Por que o feminismo incomoda mais que a cultura do estupro?

Maslowa Pinheiro Rodrigues • Colunista do Repórter Ceará
23 de outubro de 2020 às 11:38

Nos últimos dias pudemos acompanhar notícias sobre a contratação do jogador de futebol, Robinho, pelo time paulista, Santos.

Imediatamente, por meio das redes sociais, começou-se um movimento contra tal contratação, pelo fato de o mencionado jogador ter sido condenado a uma pena de nove anos por estupro coletivo, em um processo que corre na Itália.

O crime aconteceu no ano de 2013, tendo a vítima, que estava sem condições para consentir, pois havia ingerido bebida alcoólica, sido estuprada coletivamente e, dentre os autores do fato, está Robinho, conforme pudemos verificar através de áudios obtidos por meio de uma interceptação telefônica, nos quais ele afirma ter participado do ato.

Pois bem, deixando a parte técnica um pouco de lado, me chamou a atenção que, mesmo com as provas amplamente divulgadas, Robinho se esquiva, diz estar sendo perseguido e ainda tenta culpar o feminismo, pois, segundo ele, a situação só se agravou aos olhos de todos porque “infelizmente, existe esse movimento feminista”.

Fico refletindo acerca dessa frase que foi por ele dita e tenho cada vez mais certeza de que o feminismo incomoda muito mais que o machismo, que a cultura do estupro e o feminicídio. Incomoda porque machistas não querem perder o seu lugar nessa sociedade patriarcal que sempre diminuiu, subjugou e abusou das mulheres.

Basta observar que o clube contratante somente suspendeu (e não rescindiu) o contrato devido a pressão feita pelos patrocinadores, que não queriam ver o nome de suas marcas associadas ao jogador e, por conseguinte, acabar perdendo consumidores.

Vejam: não é o crime em si que causa a revolta ou a indignação, mas a possibilidade de se perder dinheiro!

Um apresentador de certa emissora chegou a dizer, inclusive, que o jogador merece o benefício da dúvida. O engraçado é o quanto eles se esforçam para tentar justificar ou diminuir o crime de estupro, seja colocando a culpa na vítima ou mesmo a velha “passada de pano” para o amigo, para o “brother”.

A verdade é que alguns homens não suportam ver que as coisas estão mudando e que, ou eles se corrigem a tempo ou serão “engolidos”; não porque o feminismo queira exterminar os homens, como muitos erroneamente e de propósito querem pensar e repassar, mas porque com a luta feminista cada vez mais forte não haverá espaço para práticas misóginas, sexistas, machistas.

E é isso o que muitos não querem perder, por isso tentam deslegitimar um movimento tão importante na busca de igualdade, que coloca as mulheres nos espaços que são seus por direito, que visa nada mais que o simples respeito que deve existir a todo e qualquer ser humano, independente de gênero, mas que desde sempre foi negado quando se trata da mulher.

Para quem sempre esteve na posição de dominador, de quem dita as regras e delas sempre foi beneficiado, realmente, é bem difícil entender que as coisas estão mudando e que custe o que custar, um dia, as mulheres serão, de fato, livres e respeitadas como devem ser!

Confira mais artigos na coluna de Maslowa Pinheiro clicando AQUI.

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