As memórias do Campo Santo Nossa Senhora do Carmo

Elistênio Alves • Colunista do Repórter Ceará
2 de novembro de 2020 às 12:55

Lembrar dos mortos eu entendo que é um sinal claro de respeito pela memória de quem já não está mais entre nós. Não tive a oportunidade de conhecer o meu avô, o Seu Emídio carpinteiro. Minha mãe sempre me contou história dele, de sua sempre rigidez no trato com os filhos, mas, pelo que sempre senti nas falas, um homem muito cuidadoso com a criação de sua gente. Ele morreu antes mesmo de eu ter nascido. Sua lembrança é viva dentro de mim pelo que sempre escutei.

Todo dia 02, sagradamente, é dia de visitar seu túmulo e não somente neste dia, mas pelo menos uma vez por mês ou até mais que isso, uma tradição familiar. Aprendi esse caminho ao campo santo de Quixeramobim assim, pela lembrança do meu avô.

Desse cuidado de minha mãe e de toda família nessa lembrança presente na visita ao cemitério, me fez perceber de que realmente este espaço é mais que espaço de enterro dos mortos, mas, sim, de memória e, literalmente, de vida, pois na visita se carrega a emoção da vida de quem já se foi, por isso acredito que o cemitério, esse campo verdadeiramente Santo, merece cuidado pelo respeito à memória dessas pessoas.

O Nossa Senhora do Carmo é um patrimônio da cidade, que viu por meio dele grandes nomes que contribuíram para a construção de Quixeramobim ali enterrados e muitos anônimos de também tamanha relevância. É preciso que cobremos do Município o tombamento desse espaço, que de certa forma remonta a memória também da região por ser, de conhecimento desse imenso Sertão Central, um dos primeiros cemitérios deste pedaço do Ceará.

Nosso cemitério está se tornando inviável para a construção de novos túmulos. Sua capacidade ultrapassou o razoável e a real necessidade da construção de um novo espaço para enterros é uma prioridade para o próximo prefeito de Quixeramobim. Espera-se que com a construção de um novo cemitério seja possível cuidar adequadamente do Nossa Senhora do Carmo, mantendo viva sua história, preservando sua estrutura, sua capela original inigualável.

Não posso esquecer, por fim, de Fernando Coveiro, um símbolo deste campo e que precisa ser lembrado nesse seu primeiro dia de finados de um outro lado. Fernando é a visão clara da importância da preservação da memória do Nosso Senhora do Carmo.

Foto: Arquivo/SMC

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