Canções para soltar… o grito preso na garganta

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
21 de novembro de 2020 às 15:50

A Vida tornou-se mais difícil. Emoções e opiniões contidas desde a madrugada de um 1º de abril que despedaçou sonhos de reformas sociais. A mentira desse 1º de abril foi chamar de Revolução o Golpe Militar. Aos poucos a Democracia era cerceada, abolindo os partidos políticos, fechando instituições e implantando o rigor da Censura à Arte brasileira.

Na área da dramaturgia autores como Augusto Boal, Ruy Guerra, Paulo Pontes entre outros tiveram peças proibidas; Dias Gomes teve novelas como Roque Santeiro engavetadas por muito tempo. Os Teatros Arena e Oficina foram palcos de invasões e agressões pela força da polícia. Na peça “Roda Viva” o cenário e atores foram agredidos. O exílio foi o caminho para muitos intelectuais.

A música brasileira era o alvo mais constante da “tesoura” dos censores. O Show OPINIÃO, identificado por suas músicas de protesto, estreou no Teatro de Arena carioca  com Zé Ketti, João do Vale, Nara Leão e depois Bethânia. A letra de Zé Ketti diz: “podem me prender, podem me bater, podem até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião…”.

Foram os Festivais dos anos 60 que deram Voz aos anseios de manifestação de jovens compositores. Chico Buarque apresenta em 1967 sua Roda Viva “… a Gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a Roda Viva e carrega o destino pra lá…”. No ano seguinte G. Vandré inscreve aquela que se tornaria o hino dos protestos: PRÁ NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES (CAMINHANDO E CANTANDO) cuja frase marcante diz: “… Vem vamos embora que esperar Não é saber, Quem sabe faz a hora Não espera acontecer…”.

A peça de Chico Buarque e Ruy Guerra CALABAR – O Elogio da Traição foi alvo de pesada censura. Para a circulação do LP a capa ficou em branco para não associar ao Teatro. Outra estratégia para driblar os censores foi usar o pseudônimo de Julinho da Adelaide nas composições do LP Sinal Fechado com a música título de autoria de Paulinho da Viola. Outro símbolo desse período é APESAR DE VOCÊ e CÁLICE; a última é de Chico e Gilberto Gil.

Gonzaguinha sintetizou de forma magistral esse período em PEQUENA MEMÓRIA DE UM TEMPO SEM MEMÓRIA: “Memória de um Tempo onde lutar por seu direito é um defeito que mata / São tantas lutas inglórias / São histórias que a história qualquer dia vai contar / De obscuros personagens / as passagens / as coragens são sementes espalhadas pelo chão...”.

De Raul Seixas destaco a MOSCA NA SOPA. Aldir Blanc e João Bosco nos dão o hino da campanha pela anistia O BÊBADO E A WQUILIBRISRA, onde pedem a “…volta do irmão do Henfil…”.

Muitas são as histórias incríveis, composições e autores que mantiveram acessa a chama da esperança nos corações brasileiros. Há também as canções que relatam dores sofridas como a homenagem de Chico Buarque à Mãe de Stuart Angel, a estilista Zuzu Angel que lutou pela verdade sobre a morte de seu filho e foi morta em desastre automobilístico pouco esclarecido. A letra do Chico é ANGÉLICA e diz: “Quem é essa Mulher que canta sempre esse estribilho / Só queria embalar meu filho que mora na escuridão do mar…”.

Para conferir mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira, clique AQUI.

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