Sentimentos x Calendário: o respeito precisa ser cotidiano

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
28 de novembro de 2020 às 10:15

Ao consultarmos a folhinha do calendário, quase diariamente há referências acerca de comemorações específicas de episódios da história, categorias profissionais, relações familiares e sociais, religiosidade e muitos outros aspectos. Algumas dessas datas têm assumido um caráter tão ligado ao consumismo que as vendas, com intuito de lucro, se sobrepõem aos sentimentos. É o que tem envolvido o Natal, o Dia das Mães e Dia dos Pais, Dia da Criança e até o Dia e Finados, antes marcado pela venda de flores e velas, agora é alvo de um marketing sofisticado no âmbito das empresas que lidam com a lembrança dos nossos entes falecidos.

Além do dia 02 de novembro, outras duas datas motivaram essa minha abordagem – o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) e o ia da Música (22 de novembro). Lembrar e honrar a figura de Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência e luta pela liberdade dos negros escravizados no Brasil é muito justa. Mas o reconhecimento da importância dos povos africanos e seus descendentes na construção do Brasil agrário e minerador, bem como na formação cultural e política da sociedade brasileira, não deveria restringir-se a um Dia. Portugal fomentou o crime de capturar em suas aldeias homens e mulheres africanos/as que  desenvolveram a base econômica do Brasil e seus descendentes são  todos brasileiros/as com direitos iguais.

Da África trouxeram os traços culturais, especialmente suas crenças e ao serem proibidos de cultuá-las buscaram adaptá-las ao meio local. Encontraram em santa Bárbara sua Iansã; As contas do terço de Nª Sª do Rosário lembravam os guizos de Oxum e esta santa ganhou  muitas Igrejas construídas por escravos, pois estes não podiam frequentar os templos destinados às famílias às quais serviam. Assim surgiu a Igreja do Rosário em Quixeramobim, Icó, Aracati, Salvador, Ouro Preto, Tiradentes, Cuiabá e outras cidades. Em geral construíam suas Igreja em locais distantes e à escondidas dos patrões, mas em Mariana ousaram construir um templo para São Francisco no mesmo Largo da Igreja exclusiva dos brancos. Edificaram templos que hoje testemunham a bela arquitetura deixada por escravos. ainda destacar o escultor Aleijadinho que foi a maior expressão da Arte Barroca mineira.

A população brasileira é um caudal de traços dos três principais povos que contribuíram para a base da nossa sociedade; os nativos indígenas, o colonizador europeu e o africano escravizado. Esses últimos nos legaram ainda os sabores de sua culinária, a destreza e força nos esportes onde até hoje são destaques. E o que dizer das habilidades musicais. O ritmo brasileiro de maior expressão – o Samba, nasceu nos encontros de geniais instrumentistas, dançarinos e intérpretes que anualmente descem o Morro para mostrar-se ao Mundo na magia das Escolas de Sambas, Blocos, Maracatús etc.

Nessas datas da Consciência Negra e dia da Música há uma Gente Bamba que merece ser lembrada: músicos, cantores e cantoras afro descendentes como Donga, João da Baiana, Pixinguinha, Clementina de Jesus, Ataulfo Alves e ainda Nelson Cavaquinho, Cartola, Monarca, Elza Soares e tantos mais.

É preciso combater o preconceito sob qualquer forma; é preciso reconhecer e valorizar essa “Gente bronzeada” que tem muito valor e levam longe a Arte brasileira.

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