Editorial: Por que políticos abandonam a população quando não são reeleitos?

4 de dezembro de 2020 às 12:11

Cargo político não é vitalício. Portanto, não possui dono. Este é um fato constitucional, aplicado na realidade brasileira. Por isso, se alguma figura pública deseja renovar seu mandato, deve disputar a reeleição. O problema, no entanto, está em quando tais autoridades não conseguem ser reeleitas e abandonam a população, deixando-a carente de ações públicas.

Quando algum político se abstém de continuar trabalhando pela comunidade por não ter sido reeleito, a máscara do egoísmo se mostra. É nesse momento que o véu de homem público cai e é constatado que seu mandato nunca foi pautado para trabalhar pela população, mas para si, com o único intuito de mirar e conquistar reeleição. O que denota que as ações antes feitas, nada mais são que com o intuito de conquistar mais 4 anos. Agora, indaga-se ao eleitor: Por que tão grande sede pela permanência no poder? Que vantagens a si ele alimenta?

A tristeza se torna mais acentuada ao observar que esse tipo de situação acontece, principalmente, nas Prefeituras, quando alguns gestores – não todos -, não conseguem voltar ao comando do Executivo. É um momento de total abatimento moral, que impõe descrédito em todas as palavras proferidas em discurso, de que os votos de seus eleitores e até dos que não o elegeram iriam ser valorizados, adotando sempre a Política, com ‘P’ maiúsculo.

São benefícios cortados de servidores públicos, prestadores de serviço sendo dispensados e paralisação de obras, como se, com a derrota nas urnas, a gestão que administra o respectivo município não tivesse mais responsabilidade com a cidade. O resumo disso se destaca em três palavras: falta de compromisso!

Gestores públicos que inflam o peito e deixam o cargo subir à cabeça considerando que detém o poder majoritário e eterno sobre uma administração sentem grande impacto quando dão de cara com o muro da não renovação de mandato, que o povo decidiu. É um choque que permite à figuras públicas um momento de autocrítica sobre o que foi feito de errado. Por isso, se vingar da população e deteriorar as contas da administração não é a solução para resolver sua mágoa, sentimento que a Política não permite, junto com o rancor. O verdadeiro culpado pelo insucesso é o próprio político.

Mais bonito, mesmo que não seja para o não reeleito, é entregar o comando do cargo com transparência e se dispor para continuar contribuindo para o bem da cidade. O município está acima de qualquer disputa política, e a população, sendo soberana, está além das atitudes de alguns políticos de gozarem de uma raiva que eles não devem sentir, já que a eleição é a festa da democracia e só mostra o engajamento do eleitorado brasileiro com os sufrágios.

Um dia, em um futuro próximo, quando a politização da sociedade atingir bons níveis e o público entender que interromper ações em prol do povo por motivos político-partidários não é regra, mas exceção, a própria sociedade tratará de impedir esses figurantes políticos, antes que cheguem nos cargos públicos.

Foto: Arte/SMC

Editorial do Repórter Ceará

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