As linhas tortas de Tordesilhas no desenho do novo mundo

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
5 de dezembro de 2020 às 10:34

Os primeiros registros da História oficial referem-se a civilizações distantes da planície sertaneja. Ficavam além do Atlântico, junto aos mares Egeu, Mediterrâneo e outros. Conquistadores, sempre guerreando, construíam impérios. Monarcas ambiciosos disputavam áreas ainda não conhecidas, mas que se presumia esconderem tesouros no subsolo, na fauna e na flora. Nos projetos de expansão dos seus domínios desconsideravam os verdadeiros donos dessas Terras, povos de culturas peculiares que viviam em harmonia com a natureza.

Em nome do Catolicismo, os reis espanhóis Fernando de Aragão e Isabel de Castela expandiam seus domínios, tomando cidades ocupadas pelos mulçumanos e financiando viagens exploratórias além mar. Com apoio do Vaticano, promoveram a divisão entre Portugal e Espanha dos futuros territórios a serem encontrados, em acordo assinado na cidade de Tordesilhas. Foi assim que o belo Pindorama dos Aimorés, Tabajaras, Potiguaras e tanto mais, confundido com uma Ilha nominada Santa Cruz, foi dado a Portugal e registrado como Brasil.

Em mares nunca dantes navegados, findando o século XV, singraram embarcações europeias em busca das riquezas das “Índias”, um incerto lugar no Oriente. De certo, apenas a forma arredondada do nosso planeta orientando o traçado de novas rotas. E assim, muitos aportaram no litoral de novas terras. Os Espanhóis visitaram a bela ponta do Mucuripe antes de 22 de abril, quando Cabral chega à Bahia; mas o Tratado das Tordesilhas os impedia e tomar posse; os primeiros grileiros do solo pátrio seriam os portugueses.

Portanto, o Ceará foi logo visitado, mas demorou um século para receber novos ocupantes – o Donatário e os ganhadores de Sesmarias; muitos preferiam ficar instalados na zona costeira. Foram os holandeses que construíram um forte na foz do Riacho Pajeú e adentraram até as serras próximas, em busca de prata e outras riquezas minerais em Maranguape. O vasto aplainado chamado Sertão continuava sob o domínio dos legítimos donos – os Índios. Foi a busca de áreas para o criatório do gado bovino bem separada dos canaviais o fator propulsor do povoamento do Sertão Nordestino.

Portugueses ampliaram os limites de seus domínios com os movimentos das Entradas e Bandeiras que objetivavam achar ouro e pedras preciosas. O Tratado de Madri reconheceu esse avanço nos limites antes definidos em Tordesilhas.

Esses Tratados favoreceram os Europeus com poder político e econômico. Para a América Latina criaram o isolamento do Brasil com os demais povos do continente, por barreiras geográficas (a Cordilheira dos Andes) e linguísticas, reforçadas pelo jogo de interesses  das metrópoles dominadoras Inglaterra e posteriormente os Estados Unidos. Uma América Latina fortalecida pela união de seus países alcançaria melhor aproveitamento de suas riquezas naturais, da inteligência de seus recursos humanos e teríamos uma situação mais justa social e econômica.

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