O ciclo natalino – O Nordeste perdendo o regionalismo

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
25 de dezembro de 2020 às 15:54

Ao aproximar-se o final do ano surgem as cores, os sons e as luzes a indicarem os festejos do Natal e Dia de Reis. O Nordeste do Brasil, por sua riqueza cultural, comemora esse período com várias manifestações tradicionais que aliam os aspectos religiosos e profanos. Dentre as costumeiras apresentações destacamos a Folia de Reis, os Pastoris e o Bumba meu Boi.

O PASTORIL constitui um Auto que se refere ao nascimento do Menino Jesus, envolvendo teatro, música e danças. É integrado por dois Cordões: o Azul e o Encarnado, com a Diana, a Cigana, a Estrela-Guia, as Borboletas, os Pastores e o Anjo que faz o anúncio da vinda da Criança Divina. Esta manifestação cultural foi trazida pelos portugueses e ainda é muito apresentada nos Estados de R. Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Pernambuco.

Em outros Estados e em alguns lugares do Ceará, acontecem o Bumba-meu-Boi e o Reisado de modo separado, mas com a mesma temática. No Reisado os grupos circulam as ruas batendo de porta em porta pedindo prendas. Trata-se de manifestação que acontece às vésperas do Dia de Reis (06/janeiro); fazem louvação aos donos da casa, dançam, cantam e improvisam falas, sempre lembrando os Reis Magos, daí vestirem belas roupas coloridas. Esses são os versos iniciais da cantoria:

“Ô de casa, ô de fora, quem ta dentro saia fora (2x)
Venha ver o Santo Reis que chegou aqui agora (2x)
Esta casa está bem feita por dentro dor fora não (2x)
Por dentro cravos e rosas, por fora manjericão (2x)…”

Em nosso Município, nos anos 40, 50 e 60, o animador cultural Antônio da “Mariaga” foi um realizador do Boi de Reisado e de Pastoril, mas apenas o Boi de Reisado foi continuado ao ser assumido pelo Mestre Piauí. Em outras localidades existe grupos menores que precisam muito apoio e divulgação.

No BOI DE REISADO há elementos referentes ao Bumba-meu-Boi e ao Reisado; são assemelhados o enredo e os brincantes, além da cantoria. Recordemos nosso Mestre da Cultura:

O Boi de Reisado acontece por todo mês de dezembro e sua culminância é a “Matança o Boi” na noite de 06 de janeiro – Dia de Reis. Assim como o Reisado cantam nas portas das casas, louvando os moradores e pedindo contribuições. Quando são convidados a dançar desenvolvem suas danças e cantorias, na apresentação de seus personagens: o Mestre, Mateus, Catirina, Careta, Chico, Rei e Rainha, Índios, e os animais: Ema, Burrinha, Jaraguá e por último o Boi

O processo que assegura a manutenção das manifestações é a oralidade; avós e pais envolvendo os mais novos nas brincadeiras e mostrando o valor da identificação com suas origens, mesmo sob as influências do mundo globalizado que invade todos os recantos via Televisão e redes sociais. É preciso evitar que esses costumes continuem sendo abandonados. É uma questão de Resistência.

A antropóloga Zuleica Dantas sugere que haja incentivo e divulgação por parte do poder público e afirma “… as ESCOLAS devem ser responsáveis por valorizar e ajudar a transmitir a existência das manifestações locais. Essas expressões fazem parte da nossa identidade cultural. É aquilo que nos faz sermos quem nós somos e nos diferenciarmos dos outros. Nos tirando isso a gente dês identifica e se transforma no grande produto globalizante sem identidade”, ressalta”.

Nesse intuito a EEEMTI HUMBERTO BEZERRA, oferece grandes contribuições à Arte e Cultura do Município de Quixeramobim; veja neste registro:

Para conferir mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira, clique AQUI.

Compartilhar...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Os comentários estão fechados
Anúncio
Entendendo A Notícia
Mídia Kit

Anuncie no Repórter Ceará

Baixe o Mídia Kit


Contato: jornalismo@sistemamaior.com.br

Enquete
Sorry, there are no polls available at the moment.
Curta nossa página
Escute ao vivo
SerTão TV
Visite-nos
Tempo