33 anos: “Por que gosto de Banabuiú?”

Itamar Filho • Colunista do Repórter Ceará
26 de janeiro de 2021 às 11:05

“Tu és princesa, desse sertão”. E é nessa passagem que começamos nossa conversa semanal, dessa vez parabenizando uma das cidades mais jovens de nossa região. No último dia 25 de janeiro, Banabuiú, terra do Arrojado Lisboa – 3º maior reservatório do Ceará -, completou 33 anos de emancipação política. De distrito de Quixadá, a terra de grandes eventos culturais e um dos maiores carnavais do Estado, prestaremos homenagem perguntando a um de seus filhos, “por que gosta de Banabuiú?”

Sebastião Rubens, jovem empreendedor, designer e graduando em História pela Feclesc, em Quixadá, é figura promissora de sua terra, e dela tem muito orgulho, não à toa, quando conversei sobre esse texto, logo se dispôs a responder, e para tal, disse: “Gosto de Banabuiú pelos costumes do povo, principalmente por sua história de lutas aguerridas, pelas águas do rio que desaguam pelos sertões à fora. Admiro essa cidade por sua cultura popular, do artesanato ao violeiro, que encanta na tão famosa Banartes; gosto da alegria dos pescadores, quando o peixe é fartura e, feliz eu fico quando o
comerciante abre suas portas para o turismo em períodos festivos, como já é de praxe.”. Indo além, quando perguntei sobre o que esperava para o futuro de sua cidade, ele me respondeu que: “Sonho que este município não perca suas raízes históricas, principalmente pelo povo que aqui reside. Devemos cuidar e valorizar as nossas tradições populares dos nossos agricultores, pescadores e artistas desta região, esses são os personagens primordiais que formam, o que outrora não havia e hoje és, a princesa deste sertão.”

Coincidência usarmos a mesma passagem do hino municipal como sinônimo à terra. Certeira é a fala de Rubens. Em um mundo onde a globalização cultural parece engolir os regionalismos e tradições, preservar as raízes deve ir além do dever de cientistas sociais, como antropólogos e historiadores – eu ou ele em um futuro próximo, por exemplo. Preservar as origens é preservar a história, e preservando-a, garantiremos que a mesa seja conhecida, boa ou ruim que foi, para que acertemos ou evitemos erros futuros, mas também conhecermos o passado de nosso lugar. Um lugar rico em cultura,
às vezes relegado a baixezas políticas – melhor dizendo, ‘politiqueiras’ -, mas que em nada abalam a verdadeira alma dele, e que o jovem tantas vezes citou: o povo. O que seria Banabuiú, Quixadá, Quixeramobim se não fosse seu povo? Uma casca, oca, um CNPJ municipal, terras pobres. Se há motivos para comemorar, esses se devem a alma daquele lugar.

Meu pai não era filho de lá, mas “adotou” e foi igualmente adotado pela cidade. Muitas vezes me contava causos de lá, histórias sobre seus vizinhos -um inclusive seu xará, sobre a construção do açude e até sobre as lendas em volta da origem toponímia do nome da cidade – essa, a história engraçada de um atrapalhado nativo chamado “Buiú” e um acidente com o cacique da tribo, que queimado em um incidente, rogava em alto som: “Abana, Buiú, abana, Buiú, bana buiú…”. É disso que se trata uma cidade, uma terra, um lugar: sua gente, seja aquela que nasceu lá, ou viveu até seus últimos dias. Parabéns, vale das borboletas, que seus próximos 33 anos reflitam o futuro que você aponta hoje: o de uma cidade cada vez melhor.

Este artigo foi escrito com o auxílio de nosso colaborador de Banabuiú, Rubens Sousa. Esta coluna tem a pretensão de ser colaborativa. Se crê que algum tema da política e dos acasos sociais são de grande relevância, entre em contato, terei o prazer de discuti-los com você e, a depender da conversa, virar assunto de nosso espaço.

Foto: Divulgação/DN

Para conferir mais artigos na coluna de Itamar Filho, clique AQUI.

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