Cancelamento: um ato de justiça ou de vingança?

Maslowa Pinheiro Rodrigues • Colunista do Repórter Ceará
4 de fevereiro de 2021 às 21:07 1

Quem tem rede social, principalmente Twitter e Instagram, ainda que não acompanhe o programa BBB21, da Rede Globo, com certeza sabe tudo o que tem acontecido com os participantes, pois o assunto é o mesmo: as confusões e injustiças na “casa mais vigiada do Brasil”.

Pelo que pude apurar, alguns participantes têm ultrapassado todos os limites da falta de civilidade, educação, respeito, empatia e até no que diz respeito à licitude (Karol ConKa praticou, a meu ver, o crime previsto na lei de Racismo, ao afirmar que por determinada participante, por ser da região Nordeste, não tinha educação, incitando o preconceito e a discriminação aos nordestinos – porém, falaremos disso em outra oportunidade).

Nada justifica o tratamento que estão dispensando ao participante Lucas que, não obstante ter agido de forma reprovável, não merece ser tratado desumanamente pelos outros “brothers“.

Incompreensível também, pelo menos até onde pude acompanhar, é a perseguição e o cancelamento gratuito em relação à confinada Juliette.

Mas o pior de tudo, em meu sentir, é o “silêncio que ecoa” daqueles que presenciam cenas bizarras e nada fazem por medo do tal “banimento” moral pelos demais e pelo público que acompanha fora da casa. Isto me lembra, inclusive, a famigerada frase de Martin Luther King, que diz: “O que me preocupa não é grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

Reputo interessante mencionar o quanto isso tá chocando tantas pessoas que assistem ao “entretenimento” e que se sentem impotentes, que acham injusto tudo o que acontece, mas que talvez ainda não tenham refletido se aquele modo de agir não foi ou é usado por elas mesmas em determinados momentos.

Não adianta só apontar ou se indignar quando o outro erra. O importante é que, ao assistirmos práticas de condutas tão abjetas, ao nos indignarmos com elas, possamos corrigi-las em nós mesmos.

Não devemos apoiar atos errados, de fato, mas não temos o poder de crucificar, de banir ou de ser desumano com quem falha. Pessoas erram o tempo todo, pessoas sempre têm o que aprender, mas não é o cancelamento que as ensinarão.

Todos estamos em processo de desconstrução e reconstrução, e ninguém é o “Senhor da Verdade”, afinal, temos de ter, não só humildade para aprender, mas, principalmente, para ensinar.

Acho que isso deve servir de lição não só para os participantes envolvidos em tais situações, mas para todos nós: mesmo que estejamos certos, se não soubermos falar ou agir, tornamo-nos errados.

Foto: Reprodução/Instagram

Para conferir mais artigos na coluna de Maslowa Pinheiro, clique AQUI.

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1 Comentário
  1. Claudinha Borges disse:

    Belíssima reflexão 👏👏👏👏👏

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