O Príncipe do Baião – José Domingos de Moraes (Garanhuns: 12/02/1941 | São Paulo: 23/07/2013)

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
12 de fevereiro de 2021 às 11:10 0

Hoje é dia para comemorarmos o talento de um importante artista brasileiro. A influência musical veio nos genes deste filho do Mestre Chicão – famoso tocador e “afinador” de Foles de 8 baixos” e pelo convívio em uma família muito ligada aos ritmos nordestinos.

A família enfrentava dificuldades financeiras e desde a idade de 6 anos, o garoto que recebeu o apelido de Neném, formou o “Trio Três Pinguins”; de início tocou pandeiro e triângulo, até receber de seu pai uma sanfona de 8 Baixos e se tornou o “NENEN do Acordeon”. Os irmãos tocavam nas feiras livres, botecos, e portas de hotéis de Garanhuns, cidade turística do agreste pernambucano.

Tocavam na porta de um hotel quando foram vistos por Gonzagão que percebeu sua desenvoltura e se torna o padrinho artístico do pequeno músico, então com 8 anos de idade e o aconselha a ir para o Rio de Janeiro e informa seu endereço para que fosse procurá-lo. A mudança ocorre em 1954, quando ele e o pai viajam durante 11 dias em um caminho. Vão morar em Nilópolis, na baixada fluminense, onde já estava o irmão mais velho. Do Rei do Baião ganha uma sanfona de 80 baixos, convidado para frequentar a casa do famoso padrinho e acompanhá-lo nos ensaios, passando a acompanhar Gonzagão nos shows e gravações.

Em 1957, por sugestão de seu LUIZ, muda o nome artístico: o Nenen do Acordeom se torna DOMINGUINHOS; segue percorrendo o interior do Rio de Janeiro tocando em circos, bares e boates. Foi nesse ano que fez sua primeira gravação, acompanhando Luiz Gonzaga na música “Moça da Feira”. Fez parte do Trio Nordestino com Miudinho e Zito Borborema (1957 a 1958). Em 1967 volta ao grupo que acompanha o Rei do Baião e excursionam pelo Nordeste. Dominguinhos era sanfoneiro e motorista.

Além de talentoso, Dominguinhos amava o que fazia e sempre buscou se aperfeiçoar; tocou vários ritmos. Sem abandonar as raízes nordestinas, foi um músico universal.  Esse domínio da pauta musical o tornou um grande compositor, agregando parcerias com os maiores nomes da MPB, como Gilberto Gil, Chico Buarque, Nando Cordel, Anastácia (com quem foi casado) e o quixeramobinense Fausto Nilo.

  • Anastácia: Eu Só Quero Um Xodó
  • Gilberto Gil: Lamento Sertanejo e Abri a Porta
  • Chico Buarque: Tantas Palavras
  • Nando Cordel: De Volta Pro Meu Aconchego e Isso Aqui Tá Bom Demais
  • Fausto Nilo: Pedras Que Cantam; Casa, Comida e Paixão

Como instrumentista participou dos shows e gravações de outros artistas de renome. Em 1972 tocou em Cannes/França na apresentação  de Gal Costa no MIDEM.

Há 80 anos nasceu em Garanhuns um músico completo. Que deixou em sua obra palavras para expressarmos nossa Saudade.

“Que falta eu sinto de VOCÊ; que falta me faz” sua música.

“Tô com saudade de tu …. Do teu olhar carinhoso”.

O Brasil perdeu um músico excepcional; o Nordeste perdeu uma referência artística e hoje guardamos aquele sorriso na lembrança e sua sonoridade ainda embala meu coração.

Foto: Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

Para conferir mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira, clique AQUI.

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