O campo santo Nossa Senhora do Carmo

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
24 de fevereiro de 2021 às 10:35

O Cemitério Municipal Nª Sª do Carmo é o maior e mais antigo de Quixeramobim. Ele guarda em seu interior uma relíquia arquitetônica – a Capela construída por Frei Henrique de Catânia.

Talvez os menos avisados não pensem de imediato na riqueza dessa temática, por desconhecer o quanto os “Campos Santos” guardam da história política e familiar, formação étnica,  arquitetura e gosto artístico, costumes religiosos e mundanos de uma sociedade, sua estratificação e outros aspectos. Os cemitérios antigos como o da nossa Cidade guardam muitas simbologias em seus mausoléus. A visita a esses locais permite ainda medir a “urbanidade” e a eficiência administrativa dos responsáveis pela prestação dos serviços urbanos, dentre os quais estão os Cemitérios.

Há alguns anos assisti a apresentação de um trabalho sobre esse espaço público, fruto de visita in loco. O relato dos alunos e a mostra fotográfica foram ricos, especialmente sobre alguns jazigos mais visitados em função de fatos extraordinários e/ou pitorescos sobre os falecidos que ali estão sepultados. Mas a conclusão preocupante é o estado de “MORTE” do próprio Cemitério. Sua Capela de rara arquitetura está em declínio; a ocupação desordenada dos espaços entre os túmulos impedem a circulação dos visitantes; vendas indevidas de terrenos sem qualquer plano e/ou controle. Então por que esse caos e a falta de soluções? Sinceramente não tenho idéia. Se não respeitamos os sepultados (que não podem reclamar), mas os Vivos que vez por outra adentram àquele espaço merecem um lugar para chorar e rezar por seus falecidos.

Na circunvizinhança do Cemitério se estendia um amplo terreno do DNOCS (área pública) o que deveria ter facilitado a expansão do referido Campo Santo. Mas até hoje o que se apresenta são particulares ocupando o entorno, condenando a entropia daquele equipamento imprescindível à Cidade dos Vivos.

Aí está o Nó da questão – a Cidade dos Vivos também cresce sem o devido respeito às suas edificações históricas; sem cumprimento das Leis de Uso e Ocupação do Solo Urbano.  Não se reclama da ausência das áreas previstas legalmente: Praças, Áreas Verde, Áreas institucionais e Sistema Viário dentro das normas. Ruas obstruídas por comerciantes e suas mercadorias e cones ou cavaletes “privatizando” a rua e as praças; entulhos e material de construção atrapalham a circulação de pedestres e motorizados. Poluição sonora é corriqueira, além de tantos outros maus hábitos que um exacerbado individualismo há muito matou a cordialidade entre moradores sociáveis.

Daí ser uma triste verdade a sentença “Assim na Vida como na Morte”; os Vivos na desordem urbana; os Mortos no caótico Campo Santo, que assombra mais que possíveis fantasmas.

Foto: Elistênio Alves/Arquivo/SMC

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