Chiquinha Gonzaga: mulher de talento e desafios aos preconceitos

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
7 de março de 2021 às 08:00

Uma MULHER brasileira, nascida no Rio de Janeiro em 17 de outubro de 1847, marcou sua trajetória de luta contra limites impostos pelos preconceitos que à sua época eram mais rigorosos. Seu nome: Francisca Edwiges Neves Gonzaga. Dotada de extraordinário talento para a música, se tornou instrumentista, compositora e maestrina. Em sua vida pessoal e familiar quebrou tabus e seguiu os apelos de seu coração.

Nasceu em uma família de padrões aristocráticos; seu pai era marechal do exército imperial e teve como padrinho o Duque de Caxias, crescendo em meio a padrões familiares rígidos. Mesmo assim, ainda jovem frequentava rodas de Lundu, umbigadas e outros ritmos africanos.

Aos 16 anos, o pai lhe impôs o casamento com um oficial da Marinha Mercante, indo viver afastada da música e se tornando mãe de três crianças. Escandaliza a sociedade ao romper a união após seis anos, sendo expulsa da família com direito de ficar apenas com o filho primogênito. Ela se torna professora de piano e participa de rodas de choro. Vive relacionamento por muitos anos com um engenheiro com o qual tem uma filha, mas a infidelidade dele motiva o fim da vida conjugal e a guarda da filha fica com o pai.

Torna-se musicista independente; passa a tocar piano nas lojas de instrumentos musicais, retoma a lecionar. Sente-se motivada a aproximar o piano da música popular; então produz composições em vários ritmos: polcas, valsas, tangos e cançonetas, alcançando grande reconhecimento na imprensa, o que a estimulou a enveredar pelo teatro contribuindo em 77 peças teatrais. Deixou cerca de duas mil composições em gêneros variados: valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros e serenatas.

Frequentar rodas de boemia, fumar e criar seu filho sozinha instigava os preconceitos da época. Empreendeu reuniões de violonistas nos bairros cariocas para valorizar esse instrumento e combater o estigma da vadiagem. Nair de Tefé, esposa de Hermes da Fonseca (Presidente da República) convida a compositora para alguns saraus no Palácio do Catete, apesar de resistências da família. A burguesia criticava a divulgação de músicas de origem em danças vulgares no palácio presidencial. Há um escândalo quando, no Recital de lançamento do “Corta – Jaca”, a primeira-dama toca violão acompanhando a compositora.

Como militante política, foi abolicionista e defendeu o fim do regime imperial. Foi fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.

Os últimos 36 anos de sua vida foram ao lado de João Batista Lage, seu grande amor que ela conheceu aos 52 anos; ele era um aluno de música com apenas 16 anos.

Foi a primeira pianista chorona (musicista de choro), autora da primeira marcha carnavalesca com letra (“Ó Abre Alas”, 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. No Passeio Público do Rio de Janeiro há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha. Em maio de 2012 foi sancionada a Lei 12 624, que instituiu o Dia da Música Popular Brasileira, comemorado no dia de seu aniversário.

Nascida no sec. XIX, Chiquinha Gonzaga representa a vanguarda feminina na música brasileira. Faleceu em 28 de fevereiro de 1935, no limiar do mês de Março, quando se comemora o Dia da MULHER.

Para conferir mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira, clique AQUI.

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