25 de março – A Data Magna do Ceará: a Terra da Luz

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
25 de março de 2021 às 00:01

Os estados do Nordeste brasileiro, por suas posições na zona equatorial, são ensolarados de janeiro a dezembro. Portanto todos recebem o calor e a Luz natural do “Astro-Rei”. Entretanto, apenas o Estado do Ceará recebeu o epíteto de TERRA DA LUZ, não pelas ensolaradas paisagens, mas por razões que muito honram o povo alencarino.

O Estado do Ceará é berço de muitas figuras ilustres e foi palco de eventos que engrandecem a nossa história como o 25 de Março de 1884, quando o Presidente da Província, Manuel Sátiro de Oliveira Dias, assina a Lei nº 2.034, findando a escravidão no Ceará, quatro anos antes da abolição em todo País. Este ato é a culminância dos esforços libertários de muitos personagens e de uma Vila, então denominada Acarape (hoje, Redenção), que alforriou seus escravos em 1º de janeiro de 1883, quando fez a entrega das Cartas de Alforria aos 116 escravos em frente à Igreja Matriz. O evento contou com a presença de abolicionistas destacados como o jornalista José do Patrocínio. A Data Magna do Ceará foi instituída como feriado estadual no dia 6 de dezembro de 2011. A iniciativa por celebrar a data partiu do deputado Lula Morais (PCdoB).

Foto: Mochileiros e Campitas

A letra do Hino do Estado do Ceará, de autoria de Thomás Pompeu Lopes  diz:

“Terra do sol, do amor, terra da LUZ!
Tua jangada afoita enfune o pano!
Vento feliz conduza a vela ousada;
Na vastidão do oceano,
Se, à proa, vão heróis e marinheiros”

Os versos acima fazem alusão ao papel fundamental dos Jangadeiros liderados pelo aracatiense, nascido em Canoa Quebrada, Francisco José do Nascimento – o Chico da Matilde, atuante abolicionista. Ele trabalhava como prático na Capitania dos Portos, assistindo de perto o drama do tráfico negreiro e buscou minorar a cruel situação. Para isso, contou com apoio decisivo de outros marítimos, como o José Napoleão. Em janeiro de 1881, convenceu outros Jangadeiros a se recusarem a levar para os navios negreiros os escravos a serem vendidos, fechando os portos locais ao tráfico de escravos.

Foto: Divulgação

Essa ação repercutiu nas outras Províncias e fortaleceu o movimento abolicionista em todo Pais, especialmente no Ceará, onde provocou a antecipação do fim da escravidão.

Inspirado no mesmo tema, Humberto Teixeira escreveu em sua canção “Terra da Luz”:

… é bem nosso o orgulho de um gesto que eleva e seduz;
o gesto altaneiro de audaz Jangadeiro
mandando que todo navio negreiro
passasse bem longe da Terra da Luz…”

Francisco José do Nascimento, nascido em 15 de abril de 1839, ficou conhecido como “O DRAGÃO DO MAR”. Ele faleceu em Fortaleza, no dia 05 de março de 1914.

Esse Herói recebeu muitas homenagens em reconhecimento ao seu heroísmo. Ele dá nome ao mais importante Centro Cultural do nosso Estado o Centro Dragão do Mar de Artes e Cultura.

Foto: Tiago Stille

Para conferir mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira, clique AQUI.

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