O Nordeste exige respeito

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
12 de junho de 2021 às 10:56

Ser Nordestina para mim não é uma origem geográfica, é um estado de espírito. Somos uma Nação multicolorida, rica de sons e ritmos que animam pessoas alegres, criativas, cheias de fé, vivendo em belas paisagens que, as vezes, impõem condições naturais adversas. Entretanto, a capacidade de resistência do Nordestino é constantemente reafirmada nesses períodos.

“… talvez por ignorância ou maldade das pior”, um senhor por nome Domenico Gatto, comentando sobre o desporto brasileiro, tentou desvalorizar os Clubes de Futebol envolvidos na Copa do Nordeste, qualificando essa competição como “Lixo”. Vem de longa data o preconceito contra os Nordestinos apesar dos inúmeros expoentes das Ciências e das diversas Artes brasileiras. O senhor citado, ao qual não atribuo o título de radialista em respeito aos demais profissionais de tão importante veículo. O sucesso de Times nordestinos em competições nacionais parece incomodar a turma do Sudeste/Sul que se esforçam para justificar a derrota dos seus, desconsiderando os vencedores.

Por esses insultos e outros equívocos de compatriotas nascidos próximos ao Trópico de Capricórnio é que desejava que o “Brasil fosse dividido e o Nordeste ficasse independente” como diz a canção de Ivanildo Vilanova e Bráulio Tavares. É bem assim:

“… Dividindo a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior

O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar

O arroz, o agave do lugar
O petróleo, a cebola, o aguardente
O nordeste é autossuficiente
O seu lucro seria garantido…”

Os autores acima citados são intelectuais de renome da mesma cepa que José de Alencar, João Cabral de Mello Neto, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Ferreira Gullar e tantos mais que enobrecem a Literatura nacional. No Ceará, o movimento da Padaria Espiritual, no fim do século XIX, antecipou algumas das renovações trazidas com o modernismo, no anos 1920. O Nordeste deu ao Brasil grandes juristas como Rui Barbosa, Clóvis Beviláqua, Capistrano de Abreu. Até no humor demos o melhor – Chico Anysio. Como não citar Ariano Suassuna, Celso Furtado e Paulo Freire – reconhecido em todo mundo como o grande educador.

Saibam todos que o Brasil nasceu no Nordeste e a força e capacidade de nordestinos criou a opulência do Sudeste e Sul; No século XIX a Confederação do Equador mostrou que podemos lutar sob a bandeira de líderes como Padre Mororó, Frei Caneca, Bárbara de Alencar e apoiados pela Fé de Antônio Conselheiro e a estratégia guerrilheira de Virgulino (Lampião) podemos sonhar com nossa autonomia.

Para conferir mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira, clique AQUI.

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