“Perdi 15 familiares em um mês”, diz ex-atleta do país mais afetado pela pandemia

17 de julho de 2021 às 13:22

Desde que a terceira onda de covid-19 atingiu a Namíbia, o ex-jogador de seleção de futebol Marley Ngarizemo perdeu 15 familiares para a doença, entre eles o pai, um irmão, uma cunhada e uma tia. Outros seis estão hospitalizados.

“Não dá para saber se o mundo está acabando”, afirma o ex-atleta de 42 anos que defendeu sua seleção na Copa Africana de Nações em 2008. “Você pode comparar a um tsunami, a um vulcão, a um genocídio. Não sei. É como se tivesse veneno na água, e cada gota pode ter ou não ter esse veneno.”

A Namíbia, cuja população chega a 2,5 milhões de habitantes, tem atualmente a maior média de novas mortes por covid no mundo, em torno de 28 a cada 1 milhão de pessoas, segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford. Em seguida, estão Tunísia (13) e Colômbia (10).

O Brasil ocupa a nona posição neste ranking, com média móvel de 5,95 mortes. A média móvel é uma média das notificações registradas ao longo de sete dias. Ela dá uma melhor noção da evolução da epidemia do que os números divulgados diariamente, porque os dados diários flutuam bastante, por uma série de motivos.

Para tentar conter o avanço de infecções, hospitalizações e mortes, o governo da Namíbia montou hospitais de campanha para receber pacientes. Mas, apesar disso, o sistema de saúde do país não tem dado conta da demanda por leitos.

A Namíbia estava despreparada para a terceira onda, devido a uma combinação de negligência do governo, desinformação sobre vacinas e um profundo cansaço com medidas para controlar a propagação do vírus.

As redes sociais do país estão inundadas com informações falsas criticando a segurança e eficácia das vacinas. E aqueles que querem obter uma vacina não sabem quando ela estará à disposição por causa da escassez do imunizante do país.

Além disso, o governo vem mudando sua estratégia sobre como as vacinas devem ser distribuídas. Durante um discurso à nação no fim de junho, o presidente Hage Geingob disse aos namibianos que o pior ainda estava por vir.

“As projeções de especialistas indicam que a curva de incidência crescente, durante esta terceira onda, deve atingir o pico em meados de agosto e pode continuar até meados de setembro de 2021”, afirmou ele ao anunciar diversas restrições à circulação de pessoas.

“Só nós podemos impedir a propagação desse vírus de devastar nossas casas e comunidades”, concluiu o mandatário.

Apesar do apelo, muitos namibianos não seguem as regras. Máscaras, por exemplo, costumam ficar penduradas em uma das orelhas e raramente cobrem a boca e o nariz.

Repórter Ceará com informações da BBC Brasil (Foto: Divulgação)

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