02 de agosto de 1989 – um trono perde o seu rei

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
2 de agosto de 2021 às 09:37

Faz um tempo que Seu Luiz emudeceu e a Sanfona tá guardada. Mas nós trazemos seus acordes, seu aboio, seu riso, sua voz e as melodias bem no coração. Nos corações dos seus admiradores famosos ou anônimos, muitos dos quais estão aqui – no Coração do Ceará. Chegou agosto – mês do desgosto – desgosto sentido nesses trinta e dois anos sem LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO. E neste sertão dos quixeramobinenses e por onde estiver algum nordestino, sua memória é cultuada e seu nome reverenciado. Seus seguidores divulgam e procuram manter vivo o legado que se traduzia em uma palavra: NORDESTINIDADE.

O filho de Januário e Santana se tornou soberano de um reino unificado pelos ritmos que alegram seu Povo em festas chamadas por um nome genérico – Forró: arrasta-pé, baião, marchinhas juninas, toada, xaxado, xote são os mais populares. Além do título de “Rei do Baião” Luiz recebeu várias alcunhas. Quando prestou o serviço militar tocava corneta e foi chamado “bico de prata”. No Rio de Janeiro o violonista Dino 7 cordas o chamava “Lua” devido sua cabeça arredondada.

“Seu Luiz” cantou a paisagem pela “Estrada de Canindé”; descreveu a beleza do “Luar do Sertão”; divulgou nossa fauna cantando a Asa branca, o Assum Preto, Acauã e tornou o Jumento um irmão. Relatou o drama da seca com “A Triste Partida” e trouxe alegria pela “Volta da Asa Branca”. Chorou a “Morte do Vaqueiro” e fez louvor a “Nossa Senhora da Penha”, Pe. Cícero, Frei Damião e à “Beata Mocinha”. Os costumes, as crenças e outros valores do seu povo também foram incluídos no seu repertório, elaborado com parceiros como Humberto Teixeira, Zé Dantas, Onildo Almeida entre outros. Ele sedimentou o caudal cultural dessa Nação do semiárido e do Agreste, até na indumentária de couro – gibão e chapéu.

Por isso os que foram seus contemporâneos necessitam lembrar e as novas gerações precisam conhecer a trajetória e as canções do Rei do Baião, reafirmando a importância de Luiz Gonzaga no cenário artístico do Brasil.

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