Quixeramobim e a saúde no Sertão Central: Retrospectiva e perspectivas

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
18 de setembro de 2021 às 10:55

Em breve um forte desejo do povo quixeramobinense será alcançado – a chegada do Ensino Superior na área da Saúde. Não apenas o curso de Medicina, mas também o de Enfermagem, ambos com a chancela de uma instituição devidamente habilitada e respeitada – a Universidade Estadual do Ceará/UECE. Os esforços de muitas lideranças e a determinação do deputado José Nobre Guimarães encontraram resposta positiva do governador Camilo Santana. Antevemos uma “grande melhora” na Saúde do Sertão Central a partir de Quixeramobim.

O momento atual indica a continuidade da influência de nosso município quando se trata de Saúde. Consta nos relatos da história que Quixeramobim foi um município que por muito tempo atraiu várias pessoas, inclusive de outros estados, em busca da cura de doenças, principalmente pulmonares. Personalidades renomadas vieram se curar no município. Um deles, o escritor Manoel de Oliveira Paiva (1861), que na oportunidade tomou conhecimento do crime de Marica Lessa e se inspirou para escrever seu principal romance “Dona Guidinha do Poço”. Em 1906, esteve aqui um jornalista fluminense e, em 1908, chega o poeta Manoel Bandeira, que tempos depois relatou através de uma crônica, publicada na revista O Cruzeiro, acerca de sua passagem por Quixeramobim.

Remonta a 1820 o registro da primeira cirurgia realizada no Sertão: um morador do Riacho do Sangue (atual Solonópole) é operado pelo cirurgião quixeramobinense José do Espírito Santo Barros, conforme relata o historiador Manuel Ximenes Aragão. Nos orgulha o feito do médico conterrâneo Cornélio José Fernandes, integrante da turma de 1862, da Faculdade de Medicina da Bahia, que recebeu a condecoração da Ordem da Rosa, conferida pelo Imperador D. Pedro II, em reconhecimento à sua dedicada e eficiente atuação no atendimento as vítimas da epidemia de cólera que atingiu a região na seca de 1877 a 1879.

O município de Quixeramobim foi pioneiro na regionalização da saúde do Sertão Central, qualificando-se como polo, na década de 60, com a construção do Hospital Regional de Quixeramobim, atual HRDPN, que atendia toda a população do Sertão Central até os Inhamuns. Foi uma prática revolucionária, inovadora e justa, contribuindo efetivamente com a melhoria da qualidade de vida, oportunizando o acesso ao atendimento de saúde a milhares de sertanejos. Por iniciativa do médico José de Pontes Neto, apoiado pelo então diretor da faculdade de Medicina da UFC – Dr. Waldemar Alcântara, Quixeramobim oportunizou interiorização do Ensino Médico. Em 1968, formou a primeira turma de doutorandos, treinados no estágio rural, pioneiro do Brasil, através do convênio CRUTAC/ UFC.

Nos últimos anos, o Governo do Estado do Ceará vem implantando nas macrorregiões de Saúde uma rede de hospitais terciários com multiespecialidades. Portanto, o cenário se vislumbra com a instalação no Sertão Central, de cursos superiores e uma unidade do Laboratório de Saúde Pública, que acrescentarão apoio ao Hospital Regional do Sertão Central. Esta ação estratégica do Estado traz perspectivas de um “Diagnóstico” favorável à Saúde do “Coração do Ceará”.

Foto: Holanda Júnior

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