Dois Josés por nossa saúde

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
18 de outubro de 2021 às 03:00

No ‘Coração do Ceará’ pulsaram sentimentos de dedicação, sonhos, ética e amor em uma corrente para a interiorização da Medicina com humanização – esta foi a missão abraçada pelo médico JOSÉ DE PONTES NETO. Dentre os jovens discípulos do Dr. Pontes destacou-se outro Zé – JOSÉ ALVES DA SILVEIRA -, que dedicou seus conhecimentos para cuidar da saúde da população deste grande Sertão.

Os familiares e alguns colaboradores do Dr. PONTES falam com emoção daquele período da fundação do Hospital de Quixeramobim, construído pelo DNOCS com a mão de obra dos “cassacos” da seca de 1958 e inaugurado em 1964. A Ditadura Militar cassou o deputado estadual JOSÉ DE PONTES NETO e o fez prisioneiro político recolhido à cela do 23 BC. Ao ser liberado pelo governo militar para cumprir pena em regime aberto após salvar a vida do oficial graduado da 10ª Região Militar, Dr. PONTES escolheu o município de Quixeramobim como domicílio e, ao chegar, empenhou-se em colocar em funcionamento o Hospital que hoje leva seu nome. Essa unidade de saúde tornou-se a missão de um “sacerdote” que não usava batina, mas um jaleco branco; não trazia terço ou rosário, mas estetoscópio e bisturi. Carismático, ele conduziu uma equipe formada por médicos, freiras da Congregação de Santa Tereza e vários outros auxiliares.

Mas o Mestre da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, afastado de sua cátedra pelo golpe de 1964, tinha outro sonho – interiorizar o ensino da medicina. Quixeramobim viabilizou esse intento – formou, em 1968, a primeira turma de doutorandos, treinados no estágio rural, pioneiro do Brasil, através do convênio CRUTAC/UFC. O prestígio e carisma do Dr. PONTES oportunizou a vinda de seus colegas especialistas da Faculdade de Medicina, que nos fins de semana contribuíam com o aprendizado dos estagiários e atendiam a população oferecendo consultas e cirurgias de forma gratuita. Esse espírito de colaboração se estendia às famílias da cidade, que hospedavam em suas residências os jovens estudantes, uma vez que o Hospital não tinha recursos assegurados para mantê-los. Assim trabalhou em Quixeramobim o professor de Medicina Cirúrgica e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, o cidadão José de Pontes Neto.

Nesta época vem se agregar à equipe mais um José: o estudante de medicina José Alves da Silveira, que se tornou o “filho” do mestre-médico, a quem era dedicada toda confiança no trabalho clínico-cirúrgico e que, depois tanto, contribuiu com a saúde e a política em Quixeramobim. Um traço constante na caminhada do cidadão, homem público e médico ZÉ ALVES era servir a todos, principalmente aos mais desafortunados. A humildade e o contínuo interesse em aprender para alcançar cura dos enfermos pode ser compreendida em uma frase que ouvi quando ele se dirigia a estudantes de enfermagem: “É preciso aproximar-se e sentir o cheiro do paciente, indagar suas vivências; mas alguns médicos mantêm tal distanciamento que deixa de perceber indício dos males que penalizam aquele doente”. Assim viveu o paraibano que Quixeramobim não esquecerá.

Os Pontes Netos, os Zé Alves honram o juramento de Hipócrates, mas hoje são raros os abnegados que fazem da medicina um sacerdócio. Por suas lutas em meios às adversidades e o humanismo de suas ações é que dedico aos dois Josés esse simples texto na passagem do 18 de outubro – Dia do Médico.

Confira mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira AQUI.

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