Urbanismo no contrafluxo: a vida urbana exige crescimento em harmonia

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
6 de novembro de 2021 às 11:24

As cidades surgiram quando o nomadismo deixou de atender as necessidades dos povos coletores, se tornando necessária a fixação das pessoas em locais estratégicos para a venda e/ou troca de seus produtos. Assim os núcleos urbanos nasceram por motivos econômicos: formação de mercados. As grandes cidades da Antiguidade foram importantes entrepostos comerciais.

Com o decorrer dos tempos a vida em cidades confirma que as principais pilastras dos espaços urbanos são habitação, trabalho, recreação e circulação. O crescimento populacional, o distanciamento entre as moradias e os vários espaços de interesse/satisfação das outras necessidades tornou a mobilidade um ponto decisivo na qualidade de qualquer núcleo urbano, uma vez que se multiplicaram os serviços “espalhados” por vários setores da cidade.

Antes dos veículos motorizados os deslocamentos ocorriam a pé, em lombos de animais, em pequenas engenhocas carregadas por trabalhados ou puxados por animais. O advento da indústria automobilística trouxe a facilidade dos acessos a locais distantes e o planejamento das áreas urbanas preconizava vias adequadas ao fluxo intenso previsível. Outro aspecto a ser considerado é onde deixar os veículos enquanto seus usuários realizam outras atividades: compras, trabalho, consultas, lazer e serviços diversos.

A necessidade de espaços para estacionar os veículos assume papel preponderante no controle urbano e até poderia se tornar fonte de arrecadação para proprietários de áreas desocupadas. Sob o ângulo do Controle Urbano a Legislação deve exigir a inclusão de áreas destinadas aos veículos, proporcionais ao fluxo estimado de moradores, trabalhadores e clientela. Em metrópoles, que dispõem de bons serviços de transporte de massa como metrô, linhas de ônibus circulando os bairros, táxis e similares evitam que os carros invadam o centro e outras áreas de concentração de serviços.

Lamentavelmente, em nossa cidade “Coração do Ceará”, as “artérias entupidas” dificultam a circulação. As vias urbanas estreitas, a inexistência de áreas adequadas e suficientes à demanda que é cada vez maior, gera um quadro caótico, principalmente no tocante aos transportes coletivos que vêm dos Distritos, como o caso da Rua Teixeira de Freitas. Outra questão séria são ruas de fluxos em dois sentidos, veículos estacionados nas duas margens e ocupadas por atividades que atraem muitos frequentadores, como a Av. Geraldo Bizarria. E a tendência é piorar, pois enquanto comemoram a instalação de grandes empresas que injetarão recursos na economia, permitem que venham ocupar áreas já esgotadas do ponto de vista de circulação, sem exigir que a mesma inclua no projeto construtivo alguns espaços para estacionamentos. Aliás, já existe calçada (passeio) privatizada por uma loja impedindo que estacionem veículos por 50 metros, na Rua Mons. Salviano Pinto, em frente a uma agência bancária.

A geração de empregos e o crescimento na arrecadação são positivos, mas são necessários cuidados com os efeitos caóticos no entorno desses estabelecimentos, até porque não existem serviços de taxis com preço justo, tarifado pela distância percorrida; cobram o mesmo valor para qualquer deslocamento. Grave também é inexistência de linhas de ônibus no perímetro urbano, o que denota incoerências no decantado progresso. Temos, sim, um “crescimento” (quantitativo), mas não um “desenvolvimento” (qualitativo).

Ainda bem que temos um bom exemplo a destacar: falo do casal Júlia e Venilson, proprietários do SUPERMERCADO JV, localizado no bairro da Pompeia. Por serem empreendedores com larga visão de futuro, compromissos com a comunidade em seu redor e respeito por sua clientela, adquiriram terrenos e prepararam dois estacionamentos com bom número de vagas (a maior parte é coberta), onde podemos deixar nossos veículos e realizar as compras com tranquilidade, sem cobrança pela permanência e sem gerar transtornos nas ruas circundantes. São iniciativas como esta que deveriam ser imitadas.

(Foto: Jândreson Gomes)

Para conferir mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira, clique AQUI.

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