Os sons cearenses: da Beira-Mar ao Pé de Serra

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
20 de novembro de 2021 às 11:39 0

Enquanto o vento assobia fazendo dançarem as palmas dos coqueiros, a musicalidade da gente praieira é estimulada. Os jangadeiros descansam com os afagos das amadas rendeiras que os aguardavam cantando belas toadas. Mais adiante, na planície sertaneja, são os aboios dos vaqueiros tangendo seu rebanho para os currais que avisam às companheiras que estão de volta ao aconchego de seus colos. Em qualquer destes cenários se espalham canções que expressam os traços da natureza, das atividades laboriosas e dos amores vividos.

O presente artigo abrange um curto período. No final do século XIX surgiu o trabalho do compositor, maestro e instrumentista ALBERTO NEPOMUCENO, a quem se atribui o nacionalismo da nossa música. Ele foi um dos primeiros compositores clássicos a empregar ritmos, gêneros e temas bem brasileiros, inclusive deixou inacabada uma ópera baseada no romance “O Garatuja”, do conterrâneo José de Alencar.

Na primeira metade do século XX, jovens cearenses iam para o Rio de Janeiro tendo por objetivo os estudos, mas se envolviam na vida boêmia e alguns exercitavam seus dotes musicais. Nesse contexto surgiram os compositores Lauro Maia e Humberto Teixeira, além de cantores como Gilberto Milfont e os grupos “4 Ases e 1 Coringa” e “Vocalistas Tropicais”, entre outros.

Lauro Maia compôs em vários ritmos e ainda inovou criando o “Balanceio”, como na sua obra intitulada “Tão Fácil, Tão Bom”:

     “balance o corpo pra cá, balance o corpo prá lá,

      agora dê uns pulinhos   e diga que sabe que sabe dançar

      o balancê balançar você já pode ensinar

      o balanceio é tão fácil, o balanceio é tão …”

Lauro Maia podia ter sido também um dos criadores de outro ritmo, se não tivesse recusado formar parceria com um sanfoneiro pernambucano recém chegado ao Rio. Ele preferiu apresentar o moço ao seu cunhado Humberto Teixeira. Desse encontro surgiu o Baião que teve o “Rei” e o “Doutor” produzindo obras antológicas: “Asa Branca” é a mais simbólica. O “Doutor do Baião” era de Iguatu onde também nasceu o maestro Eleazar de Carvalho além do compositor e cantor Evaldo Gouveia que chegou ao Rio como integrante do Trio Nagô e ganhou sucesso como compositor ”Sentimental Demais”.

Na segunda metade do século XX, o leque de cursos ofertados pela Universidade Federal do Ceará reduz a migração de alunos para o Sudeste. O que não diminui é a verve sonora e poética dessa gente alencarina. Os Festivais de Música revelam novos talentos; os Centros Acadêmicos e bares da praia tornam-se oficinas de canções. Entretanto, o mercado artístico cultural é comandado a partir do Sudeste para onde vão parte de nossos talentos, formando o “Pessoal do Ceará”. O sobralense Belchior ganha o apoio de Elis Regina que mostrou ao Brasil “Velha Roupa Colorida”, “Como Nossos Pais”. Chegam também ao Rio e São Paulo; Ednardo, Fausto Nilo, Fagner, Amelinha, entre outros que alcançaram o reconhecimento do público nacional, reafirmando a importância musical dos cearenses.

Confira mais textos na coluna de Terezinha Oliveira AQUI.

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