Pessoas como Chico Branco e Seu Expedito farão muita falta

Elistênio Alves • Colunista do Repórter Ceará
7 de dezembro de 2021 às 09:59 2

No penúltimo final de semana de novembro, lamentavelmente, me deparei com a difícil realidade da informação da morte de Chico Branco e Seu Expedito rezador. Duas figuras conhecidas do local onde vivi toda minha infância: a Baixada, na Benjamim Barroso.

Chico, que morreu no sábado, 20, era daquele ser humano que todo mundo gostava de estar perto. Irreverente e prestativo, ali, do nada, e na hora da precisão ele sempre aparecia. Gostava de andar, mesmo quando não podia.

Além de ser muito conhecido, o Chico Branco, antes de qualquer coisa, era muito querido, o que o tornava um pedacinho de cada um de nós.

Já Seu Expedito, que morreu no domingo, 21, era uma figura que na minha mente representava o místico. Primeiro, antes de falar dele, lembro de sua mãe, a Dona Santinha, que em uma cadeirinha simples, na esquina da Benjamim com a Paulo Sarasate, sempre rezou em quem a procurava. De hábito comum, Santinha me lembra muito das figuras daquele pedaço que fizeram o imaginário da minha infância, como a Dona Luzia, mãe do Tutu, que fumava cachimbo; Seu Adauto, que vendia lenha; Dona Irene, esta que tenho vaga lembrança; e a Dona Senhora, que comprei muitas carteiras de cigarro no Antônio Jorge. Cigarro plaza. A Lúcia do finado Onofre; Seu Eduardo relojoeiro; Rozildo, também de vaga lembrança; Seu Raimundo Martinho e Dona Helena: um casal que era a cara da Baixada; Seu Sebasto da carroça; Seu Chico do Santo, inato solador de violão; Seu Correia; Dona Maria Nilza e meu querido amigo Paulinho; Seu Bastião, esposo da Maria. Esse lembro perfeitamente da sua trágica morte. Manel Tronco, esse também de vaga memória. Lembro do seu enterro apenas.

Enfim. Descrevo isso para apenas dizer que Expedito era uma dessas figuras também. Nas rodas de conversa lá de casa que existem até hoje, na memória de minha avó, Dona Rita, estão presentes histórias dessa gente e que me aproximam daquele lugar.

Expedito tinha um zelo enorme pelos seus bens, pelo seu carro principalmente. Gostava de contar histórias, às vezes aumentava um pouco algumas. Eu gostava de ouvir e era melhor quando ele aumentava, ficava muito mais interessante. Seu jeito de falar era peculiar, e era rezador, de ofício por certo pegado da mãe, Santinha, que morreu com mais de 100 anos.

Escrevo essas poucas palavras emocionado, lembrando daquele lugar onde vivi. Lembro com perfeição das casas, das pessoas, do barulho, das confusões, daquele pedaço e do meu lugar.

E é por essas e outras que a passagem de Chico Branco e Seu Expedito marcaram bastante. Tudo isso por saber que dali, daquele pedaço, aos poucos vamos nos afastando mais.

Isso pode ser apenas loucura de minha cabeça, mas, ao certo, imagino ser mesmo SAUDADE.

(Na foto, Seu Chico Branco)

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2 Comentários
  1. Maria do Socorro Ferreira da Silva disse:

    Excelente texto,viajei por cada nome citado, embora , não tenha convivido,mas os conheci.essa saudade chamo de nostalgia.😘

  2. Jessica Medeiros disse:

    Tbm faço parte dessa história disse tudo 👏🏻👏🏻

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