Uma voz inesquecível: do paladino, mestre e seresteiro

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
10 de dezembro de 2021 às 00:01 2

Era dezembro, ano de 1945. Se aproximava o Natal e a senhora Maria da Conceição Ribeiro Cavalcante traz ao mundo mais uma criança. Foi um menino que recebeu o nome do pai- o senhor Miguel de Paula Cavalcante. Foi um 10 de dezembro a ser muito comemorado por sete décadas.

O garoto Miguel foi para o Colégio dos Capuchinhos Franciscanos em Pacoti e se torna seminarista. Não deu continuidade à vida sacerdotal, mas a religião foi um traço forte em sua personalidade, sempre participativo nas celebrações, palestras e terço dos homens. Muito dedicado nos movimentos ligados a capela de S. José, no seu amado Uruquê.

Os esportes, especialmente o futebol, o atraiam como atleta e torcedor. Jogou defendendo pequenas agremiações do esporte, e nos jogos universitários integrou a equipe do Curso de História. Animou o Uruquê com várias competições sempre no período de férias escolares: futebol, corridas de bicicleta, corridas de jumento, atletismo e até disputas de baladeira, corridas de saco etc.

Advogado e professor, desenvolveu com brilhantismo essas duas vocações. Orador brilhante nos tribunais, cativava os alunos nas salas de aula, por ser dotado de grande inteligência, compromisso ético e invejável saber. Esses atributos o tornaram um interlocutor admirável que deixou vazias algumas mesas e rodas de conversa. Na Praça da Matriz de Stº. Antônio, em noites do “Resgatando a BOEMIDADE”, nos animava com as lindas canções e aquele “bate-papo” inteligente e interessante, pois era um exímio “contador de causos”. Aquela praça que ainda é a mesma, onde dois grisalhos teimavam em cantar uma Índia, MIGUEL preferia a “Cabocla” e a “Sertaneja”. Mas ELE partiu. Não vem para atender aos pedidos, pois tinha de memória todo o cancioneiro romântico. Era o Ébrio que pedia seu Francisco, a Deusa da Minha Rua para o Tenilson e, quando as irmãs Consuelo ou Alda estavam presentes, as homenageava com a “Divina e graciosa ROSA”.

Concluo reafirmando que MIGUEL DE PAULA CAVALCANTE FILHO será sempre o nosso “TROVADOR dos velhos tempos que não voltam mais, cantando assim a toda hora as mais lindas modinhas do meu tempo de outrora”.

Hoje é festa no céu e meu abraço terreno vai para sua família tão amada – Fátima, Carolina, Natália e Rafael.

Foto: Arquivo pessoal

Para conferir mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira, clique AQUI.

Compartilhar...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
2 Comentários
  1. João Firmino Neto disse:

    Uma bela e merecida homenagem. O meu irmão Depaula, como já disse antes, vai acabar “virando lenda nas bocas dos cantadores”

  2. Sandra Saldanha disse:

    Com certeza está fazendo a alegria lá na céu com suas brincadeiras. Grande homem de respeito sempre tive muita gratidão no momento que mais precisei como advogado. Deus lhe tenha num bom lugar iluminado e de muita paz. Meu muito obrigada a sua família aqui na terra.

Os comentários estão fechados
Anúncio
Entendendo A Notícia
Enquete
Mídia Kit

Anuncie no Repórter Ceará

Baixe o Mídia Kit


Contato: jornalismo@sistemamaior.com.br

Curta nossa página
Escute ao vivo
SerTão TV
Visite-nos
Tempo