Editorial: O ano de 2021 com Quixeramobim nas mãos de Cirilo

18 de dezembro de 2021 às 11:01

O ano de 2021 marcou o retorno de uma personalidade política já conhecida e respeitada à Prefeitura de Quixeramobim. Cirilo Pimenta é figura experiente na administração pública e importante no xadrez político-partidário municipal e regional. No entanto, mesmo com tamanha experiência na administração, a cidade vem enfrentando problemas em diversas áreas, da Saúde a Assistência Social, com reclamações de quixeramobinenses sobre os serviços públicos municipais, contrariando a expectativa de boa parte da população que depositou a confiança no gestor para conduzir o Executivo local e implantando uma realidade diferente daquilo que se observou em outros mandatos de Pimenta.

A Saúde foi, com certeza, uma das áreas mais reclamadas. Falta de remédios essenciais, de itens básicos (materiais para curativos, por exemplo) e de médicos em postos de saúde, além da demora na marcação de exames, permearam o ano, mesmo com declarações do gestor de que não faltariam medicamentos na CAF. Inclusive, o plano de governo de 2020 trouxe a proposta de ampliação de serviços de exames e procedimentos médicos, o que não ocorreu até a publicação deste artigo, sendo necessário, de acordo com relatos, que pacientes fizessem exames na rede privada, em algumas ocasiões.

A Educação teve o anúncio de um novo nome para o secretariado, muito comemorado e elogiado pelos trabalhadores da área. Apesar disso, logo Marcelo Pedrosa deixou a titularidade da Secretaria e marcou a primeira mudança na gestão de Pimenta, fazendo com que Sandra Castro, ex-secretária da pasta no mandato anterior de Cirilo, voltasse para o cargo. A área ficou marcada pelo atraso na entrega dos kits de merenda escolar (apenas duas) e a justificativa para isso foi uma licitação que ainda não havia sido concluída. Houve relatos, inclusive, bem específicos, sobre a situação dos servidores, como o texto enviado à redação do RC por um docente da rede municipal de ensino, onde destaca, no dia dos professores: “Vários servidores desempregados (auxiliares de serviços, merendeiras, zeladores e outras funções) e sem contar aquele professor(a) de serviço prestado que está desempregado, ou o mesmo(a) já procurou outra serventia, pois seleção não existe. Conheço professores(as) que já estão trabalhando na fábrica de calçados”. Em contraponto com a realidade, o plano de governo aborda a valorização, qualificação e humanização com melhoria das condições de trabalho para o funcionalismo público.

A administração municipal também não conseguiu lograr êxito com a seleção pública, entrando em embates jurídicos por não nomear os aprovados no último concurso público, como também, por irregularidades apontadas no edital da seleção de 2021. A situação se desenhou em um cenário de crise econômica, onde a nomeação e posse dos concursados e realização da seleção seria benéfica para a cidade e resultaria em mais pessoas empregadas. Sem contabilizar, também, a trágica demissão de concursados que tomaram posse em 2020 e, quando estavam se estabilizando, foram colocados para fora pelo atual gestor alegando LRF, mesmo quando a gestão continuou empregando grande quantidade dos ‘seus’, superlotando a máquina pública com as pessoas que apoiaram a candidatura, fatiando as secretarias entre os apoiadores e reduzindo as oportunidades para os técnicos qualificados que a cidade possui.

A Assistência Social também se mostrou pouco eficaz em atender aqueles que passam por necessidades. No decorrer de 2021, a solidariedade dos quixeramobinenses foi o que salvou muitas pessoas de passarem fome, enquanto, em alguns momentos, os próprios apoiadores admitiram ocorrer mau atendimento às pessoas humildes na Prefeitura ou mandaram “procurar a rádio” para pedirem ajuda, justamente quando o plano de governo ressalta que, na área assistencial, seriam fortalecidas parcerias com esferas dos governos estadual e federal para a manutenção e ampliação de vários programas.

Não se pode esquecer das vias do município, que tiveram uma breve intervenção neste ano, mas que precisam de ações de qualidade para ofertar melhor mobilidade e segurança para a população, afinal, a gestão planeja pavimentar todas as ruas da sede urbana e dos distritos, conforme apresentado na candidatura. Portanto, tamanha medida precisa ser concretizada.

Obviamente que nem só de notícias ruins vive o quixeramobinense. A cidade foi beneficiada com o Sinalize, na Infraestrutura, e com os cursos de Medicina e Enfermagem que serão geridos pela Uece. Porém, tais investimentos estaduais chegariam na cidade com ou sem Pimenta na Prefeitura.

Citado anteriormente, o plano de governo da gestão ainda tem mais 3 anos para ser executado. O documento publicado no portal de divulgação de candidaturas do TSE é um ‘copia e cola’ do plano apresentado em 2012, com algumas alterações aqui e ali, como exclusão e adição de propostas. Obviamente, com Cirilo afastado do cargo temporariamente, como ocorreu no mandato que se iniciou em 2013, não seria possível executar o que foi apresentado na candidatura, mas, ao voltar ao cargo, o gestor teria a máquina pública à sua disposição novamente. É espantosa a quantidade de propostas não cumpridas por Pimenta, a começar pela criação da secretaria de Segurança Pública e a implantação da Guarda Civil Municipal. Aliás, as propostas citadas nos parágrafos anteriores também estão presentes no plano de 2012. É essencial recordar que, durante esse período, de 2013 a 2016, o Brasil não estava na crise sanitária que se encontra hoje.

Propostas são apresentadas para serem cumpridas e, portanto, devem existir dentro do campo executável. Florear com vírgulas, palavras bonitas e iniciativas sem detalhes é dar esperança ao povo quixeramobinense, que não viu, até hoje, boa parte das propostas apresentadas em 2012 saírem do papel – como o asfaltamento das vias que ligam as sedes dos distritos à zona urbana – e se deparam com um plano de governo em 2020 quase igual ao apresentado na candidatura referenciada anteriormente. O prefeito ainda não entendeu a fase de transição que a cidade vive. Poderia concluir as obras que estão abandonadas e deixar um pouco mais para frente esse volume que quer fazer, sem nem mesmo entregar o que prometeu ou iniciou em outros mandatos.

Os quixeramobinenses anseiam por dias melhores para esta cidade, com serviços que realmente funcionem e façam valer o voto depositado nas urnas e confiado a quem hoje governa o município. Mesmo com a incessante busca de investimentos por parte de Pimenta – o que não se pode negar -, sua administração deixou a desejar bastante em 2021, também com ações culturais tímidas. Que o prefeito e sua gestão analisem os erros cometidos, vejam onde acertaram e ponham em prática aquilo que planejaram para o município nos próximos anos, com uma governabilidade firme e responsável, que busque o melhor para seu povo.

Foto: Reprodução/Facebook

Editorial do Repórter Ceará

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