Bolero: o ritmo das paixões

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
22 de janeiro de 2022 às 12:13

Antes de Cristovão Colombo chegar ao novo mundo para expandir o domínio espanhol, os monarcas impuseram um limite ao possível alcance de Portugal às Terras almejadas. O Tratado de Tordesilhas tornou o Brasil isolado dos demais povos do vasto continente americano. O território brasileiro sob o jugo lusitano avançou além da linha definida no Tratado, mas por aqui o idioma e outras variações culturais afastavam os brasileiros dos outros latino-americanos. Entretanto, reafirmando a universalidade da música, surge em Cuba um ritmo que se espalha por toda a América. Trata-se do bolero.

“[…] Bolero é um ritmo cubano que mescla raízes espanholas com influências locais de vários países hispano-americanos. Apesar de nascer em Cuba, tornou-se também bastante conhecido como canção romântica mexicana. O ritmo foi se modificando, tornando-se mais lento e desenvolvendo especialmente temas mais românticos. partindo da clássica balada vinda da Europa; em Cuba se liga às raízes afro-espanholas.” (apud in Wikipédia/Google)

A provável data de surgimento desse ritmo é o ano de 1885. Também foi expressivo seu desenvolvimento em Porto Rico, República Dominicana e México. No ano de 1929 surge a primeira canção de sucesso internacional – “Aqueles Olhos Verdes” de autoria dos cubanos Nilo Menendez e Adolfo Utrera. Menendez compôs a melodia movida pela paixão que sentia por Conchita, dona de belos olhos, e pede ao poeta irmão da moça amada que escrevesse a letra. Essa canção é tocada até hoje em gravações dos maiores intérpretes do mundo – Nat King Cole, Lucho Gatica, Bienvenido Granda. Gregório Barrios, Júlio Iglesias e muitos outros, inclusive brasileiros. Nos anos 40 a consolidação do bolero como ritmo popularizado entre países de vários idiomas é uma realidade. É inegável o sucesso de “Quizás, Quizás, Quizás” e “Três Palavras”, do cubano Osvaldo Farrez, e de “Quiera-me Mucho”,  de Gonzalo Rolg.

No México do final do séc. XIX, a canção “La Paloma” aceita pelo grande público influenciou na cadência da dança mexicana, logo chegando ao bolero que teve Agustin Lara como expoente que compôs inúmeras canções, onde mulher, amor e sensualidade eram o tema central, assegurando o auge desse ritmo. Solamente una Vez, Aventureira, Mujer, e outras. Entre as mulheres destacou-se Consuelo Velásquez, que é autora de Besame Mucho, cantada no mundo todo. Dentre os intérpretes, o grande destaque foi o Trio Los Panchos, os cantores Armando Manzanero e Pedro Vargas.

O bolero chega ao Brasil pela Região Norte, próxima da América Central e Caribe. Nos anos 50, boleros mexicanos e cubanos são muito tocadas em rádios de todas as regiões brasileiras. As músicas cubanas são mais “sensuais e dançantes”; a “Orquestra Românticos de Cuba” tocava os grandes sucessos da época. Esse gênero influencia o surgimento da seresta no Brasil; às letras românticas, somaram-se traços regionais com aceitação popular incontestável. A Era de Ouro do Rádio brasileiro fez surgir grandes intérpretes: Francisco Alves, Alcides Gerardi, Silvio Caldas, Carlos Galhardo, Dalva de Oliveira, Nelson Gonçalves, Trio Irakitan, Agostinho dos Santos, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Altemar Dutra,  Núbia Lafayette entre outros. As emissoras de Rádio e as gravadoras espalhavam as canções de inspirados compositores como Lupicínio Rodrigues, Raul Sampaio, Herivelto Martins, Evaldo Gouveia, Jair Amorim, Adelino Moreira e outros.

Em Quixeramobim, um alto falante espalhava música por toda a cidade. Era o Fenelon Câmara e sua “Voz de Cristal” tocando “a pedidos” os sucessos da época. Os jovens do tempo das serenatas guardam na memória toda beleza desse cancioneiro e, saudosos formaram o grupo “Resgatando a boemidade” e quinzenalmente se apresentam na Praça da Matriz rememorando o romantismo dos grandes boleros.

Foto: Reprodução/ABDS

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