Humor entre amigos: a escolinha do amor fraterno

Terezinha Oliveira • Colunista do Repórter Ceará
29 de janeiro de 2022 às 13:03

“Nem tudo se aprende na escola” é uma assertiva verdadeira, apesar de muitas famílias atuais pretenderem transferir aos mestres responsabilidades dos pais e mães. Mas essa não é a temática aqui abordada, mas sim um modelo de mestre e alunos especialistas em nos divertir. O “Professor”, dotado de muito talento, compôs músicas e revolucionou o humor brasileiro com sua genialidade, tendo criado mais de duzentos personagens eternizados por sua interpretação. E antes de sair de cena, um dos seus personagens demonstrou que naquele corpo frágil batia um coração enorme que o levou a reunir na “sala de aula” seus colegas de profissão afastados da mídia pelo fator da idade. Assim, Chico Anysio, um “Cabeça Chata” nascido em Maranguape, nos brindou com um seleto elenco dos melhores comediantes nacionais.

O professor Raimundo, em sua “Escolinha”, seguiu o princípio da solidariedade e respeito aos que tanto contribuíram para divertir o público, capacidade que ainda foi demonstrada, mas foram descartados das produções, condenados ao isolamento que a sociedade impõe aos que alcançam a longevidade. Grande Otelo, o aluno Eustáquio, era pequeno, mas enchia as telas e os palcos. Muitos “alunos” iniciaram suas carreiras nas emissoras de rádio no famoso “Balança Mas Não Cai”, caso do Brandão Filho, o aluno Sandoval Quaresma, que foi o “Primo Pobre” da dupla que fez com o Paulo Grancindo. A puritana “Dona Bela” foi vivida por Zezé Macedo, estrela das chanchadas. O galã Zé Bonitinho era vivido por Jorge Loredo, que trabalhou com Chico Anysio em muitos outros programas. Rolando Lero (Rogério Cardoso), Seu Perú (Orlando Drumond), Galeão Cumbica (Rony Cócegas), Joselito Barbacena ( Antônio Carlos), Bertoldo Brecha (Mário Tupinambá), Geraldo (Castrinho), Ademar Bigalho (Lúcio Mauro) e Baltazar da Rocha (Walter D’Ávila) eram os alunos que nunca sabiam a matéria – o caso deles era nos fazer rir. O respeito merecido por artistas que já haviam nos deixado foi demonstrado em nomes como Mazarito, vivido por Costinha, junção de Mazzaropi e Oscarito, ídolos dos filmes que divertiam minha infância, tempo que não precisavam apelar para pornografia, pois o humor era saudável, inteligente e provinha da criatividade dos autores e trejeitos dos intérpretes. E deixou muita saudade.

A Turma era composta por 48 “alunos”, para absorver os amigos talentosos de Chico Anysio. A Globo insistia em reduzir esse elenco por questões orçamentárias. Ainda hoje assisto as duas edições apresentadas no Canal VIVA, por ser um programa que não tem similar sob todos os aspectos. Os filhos Nizo Neto (Ptolomeu) e Lug de Paula (Boneco, o conterrâneo Tom Cavalcante (João Canabrava)), Berta Loran (Manuela D’Além Mar), Claudia Jimenez (Cacilda) e outras atrizes, como a Tássia Camargo (Marina da Glória), faziam as charmosas da Escolinha.

A nota máxima era dificilmente alcançada, mas o riso e a descontração sempre foi o resultado constante, sob a supervisão do Atanagildo (Milton Carneiro) e Dona Escolástica (Lupe Gigliotti) – irmã de Chico Anysio. O que queríamos nesta Escolinha? A resposta “tá na ponta da língua”: “só penso naquilo” – rir com os melhores da comédia que merecem “Beijinho, beijinho”. Concluo dizendo ao Mestre: “captei vossa mensagem, ilustre Guru”. Respeito e amor ao próximo são as premissas para valer a pena nossa existência.

A vida de Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho valeu todos os aplausos.

Confira mais artigos na coluna de Terezinha Oliveira AQUI.

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