Editorial: Soluções para a Saúde de Quixeramobim

Da série “A Reconstrução da Cidade” 

Até quem não mora em Quixeramobim sabe que a Saúde do município está respirando por meio de aparelhos. Como mostrado ontem no editorial “Quixeramobim – Os desafios da Saúde”, são muitos e, em alguns casos, complexos os problemas que afetam uma das mais importantes áreas da administração pública municipal e que são gerados, muitas vezes, pela combinação de falta de recursos e de planejamento. Hoje, apresentamos algumas soluções para estas dificuldades.  

O primeiro passo é colocar a atenção básica como uma prioridade dentro da Saúde, o que, além de diminuir os custos com o agravamento de enfermidades, desafogaria os hospitais e prontos-socorros do município. Algumas pesquisas revelam que a maior parcela dos gastos públicos com a internação se refere ao agravamento de enfermidades que poderiam ter sido evitadas caso tivessem um primeiro contato com programas como o Saúde da Família e os mutirões de vacinação.  

Nessa mesma direção, um estudo desenvolvido na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto concluiu que 50% das internações infantis poderiam ter sido evitadas por meio de ações de atenção primária.  

Além disso, parte significativa dos problemas revelados ontem têm origem em falhas de gestão que poderiam ser evitadas. A falta de medicamentos é um deles. Um estudo feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em 2014, revelou que a escassez de medicamentos e materiais básicos nos hospitais públicos do país está mais ligada a erros de gestão do que a dificuldades financeiras.  

Para atacar este problema pela raiz é imprescindível que os nomes escolhidos para os cargos de secretário de Saúde e diretor clínico dos hospitais não tenham apenas experiência médica, mas também formação em gestão hospitalar.  

Com o uso da tecnologia, a gestão pode criar um sistema de informações que permita o controle sobre a entrada e a saída de medicamentos, bem como de insumos utilizados nos diferentes procedimentos médicos. Esse sistema pode contemplar tanto os hospitais, quanto os postos de saúde e os centros de abastecimento. 

A gestão também pode investir em aumento de produtividade, apoiando programas de capacitação dos profissionais, além de traçar metas semanais, mensais e anuais e instituir gratificações por desempenho para os funcionários que conseguirem cumpri-las, o que resultará em aumento da motivação para trabalhar, mantendo os médicos acordados nos plantões madrugada afora.  

Mas motivação maior virá quando a prefeitura colocar a Saúde como uma prioridade, dentre tantas outras, e pagar os funcionários da área sem atraso, o que evitaria casos de demissões como os que ocorreram no ano passado.  

Por último, mas não menos importante, é necessário investir em infraestrutura adequada. O governo municipal pode estabelecer Parcerias Público-Privadas (PPP’s) com vistas a realizar a construção de novas unidades de saúde bem como a reforma das que já existem. A iniciativa privada pode cumprir seu papel social através da compra de equipamentos, como assentos, ventiladores e refrigeradores, que seriam doados às unidades que mais precisam. 

Editorial do Repórter Ceará