Ciro Gomes ressalta que ajudará brasileiros endividados e propõe reforma trabalhista que proteja o trabalhador

Na noite de ontem, 09, oito candidatos à Presidência da República participaram do primeiro debate em TV aberta promovido pela TV Bandeirantes. O programa durou 3 horas e 13 minutos, se estendendo até a madrugada de hoje, 10.

Estavam presentes os candidatos Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSL), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Ciro Gomes (PDT).

Confira as propostas e as respostas do candidato ao Planalto Ciro Gomes (PDT):
Emprego – “Tenho uma proposta de gerar, no primeiro ano de governo, enquanto a gente cuida das reformas estruturais, 2 milhões de empregos. O caminho, basicamente, é consertar os motores do desenvolvimento, praticamente todos estrangulados. E eu posso demonstrar. O consumo da família é um dos motores importantes. Hoje, o Brasil tem 63 milhões de pessoas com nome sujo no SPC. Vou ajudar a pagar as dívidas e ajudar a limpar o nome dos brasileiros para que voltem a consumir. O empresariado brasileiro está colapsado, dívida de R$ 2,6 trilhões e caminho de crédito de recuperação duvidosa. Vou descartelizar o sistema financeiro, que no Brasil cinco bancos concentram 85% das operações. Vou consertar as contas públicas com as 7,5 mil obras paradas. […] Isso é o que o emprega rapidamente as pessoas com dificuldade.”

Reforma trabalhista – “Eu vou propor uma nova reforma trabalhista, que corrija as imperfeições da legislação que é antiga, mais, por exemplo, os abusos da Justiça do Trabalho. Mas essa que foi feita aí é uma selvageria que agravou dramaticamente a insegurança e o medo da imensa maioria do povo brasileiro. Vou lembrar: 32 milhões de brasileiros na informalidade, correndo do rapa, vivendo de bico, sem nenhuma proteção, 13 milhões e 700 mil brasileiros desempregados, mais 11 milhões de garotos que ‘nem nem’, nem estudam nem trabalham. E não é introduzindo insegurança jurídica, insegurança econômica. Nenhum lugar do mundo resolveu seu problema assim. Eu lembro de novo: a China já paga salário-hora maior do que o Brasil. A Alemanha é o país mais competitivo do mundo e não foi aviltando o salário. Temos que fazer uma reforma que proteja o trabalhador, que proteja, na luta do mais fraco contra o mais forte, aquele lado mais fraco.”

Reforma da Previdência – “Esse sistema que está aí é irreformável, porque a nossa população envelheceu. E essa brutal quantidade de pessoas na informalidade, simplesmente, evadiu-se de qualquer financiamento da previdência. Portanto, nós temos que propor um novo modelo de previdência. A reforma que o Temer fez, com toda a selvageria, obrigando o professor a trabalhar 49 anos, e que o PSDB apoiou, essa reforma não resolve nada. Economizaria R$ 360 bilhões em 10 anos. Eu proponho um novo regime de capitalização e vou propor, ao longo da campanha, como se fazer a transição.”

Transposição do Rio São Francisco – “De fato, é preciso que se faça justiça. A Marina, minha estimada amiga, foi uma ministra do Meio Ambiente absolutamente notável. Tive o privilégio de trabalhar com ela, me deu um trabalho infernal, pela boa causa, defendendo os requisitos ambientais. Mas, finalmente, conseguimos licenciar o projeto do São Francisco, que, inacreditavelmente, daquela época para cá ainda não terminou. Falta 3% e é uma das 7.300 obras paradas que eu vou começar imediatamente, tão logo desvencilhe algumas coisas de burocracia. E há um compromisso solene, que é de fazer a revitalização do Rio São Francisco. Eu comecei, por exemplo, o município de Pirapora não tinha nem sequer projeto de saneamento básico. O Rio das Velhas era o maior poluidor do Rio São Francisco e nós trabalhamos em toda essa agenda. Interativamente, com o Ministério do Meio Ambiente, interativamente com as autoridades dos municípios. E assim será o meu governo, nós vamos lançar infraestrutura no país, mas sempre tendo atenção clara como foi possível, trabalhamos juntos, com seriedade, que não é possível fazer as coisas acontecerem sem o cuidado com o futuro. BR 163, BR 319, as ferrovias transnordestina. Tudo isso eu vou terminar, mas vai ser dentro do padrão que nós fizemos no São Francisco.”

Reajuste de salários no Judiciário – “Essa iniciativa dos eminentes ministros, por maioria – é bom que a gente destaque que quatro ficaram contra –, de pedir um reajuste de salário em uma hora como essa me parece, para ficar numa palavra respeitosa, das instituições, uma imprudência profundamente acintosa do estado de sofrimento e humilhação por que passam os milhões de desempregados, os 32 milhões e 200 mil brasileiros que estão correndo, volto a repetir, do rapa, pelas ruas e praças das cidades pelo Brasil afora, tentando ainda levar para casa alguma coisa decente para sustentar os seus filhos. Não quero criticar salário de ninguém. A vida é dura. A vida é difícil. Porém, o brasileiro precisa saber, e nós da política precisamos dar exemplo, que não é salário propriamente, com todos os abusos e privilégios, o problema do Brasil. R$ 51,60 de toda a dinheirama que os governos arrecadam no Brasil, no orçamento, estão reservados para despesa financeira. Rolagem de dívida e juro. R$ 51, 60. R$ 29 de cada R$ 100, Previdência Social. Onde estão esses privilégios? 2% levando 25% de tudo. E sobram 20% para educação, saúde, segurança, ciência e tecnologia, as bolsas agora estão ameaçadas, o que é verdadeiramente a grande tarefa da próxima governança brasileira.”

Retomada do crescimento – “Vou aproveitar para propor três alternativas para retomar o crescimento no Brasil. Aliás, são quatro, mas eu já falei uma, e vou repetir. Ajudarei os brasileiros que estão, 63 milhões deles, que estão endividados no SPC. Vou ajudar a pagar dívida e restaurar o consumo das famílias. Dois: consertarei e apoiarei o esforço de desfazimento do cartel que hoje cobra, de quem trabalha e produz no Brasil, a maior taxa de juros do mundo na ponta. Três: vou consertar as contas públicas pra dizer de onde vem o dinheiro, para a gente transformar o Brasil, se não digo na primeira, na quinta, na sexta economia do mundo, que eu já vivi. E quatro: vou celebrar uma política industrial e de comércio exterior na área de petróleo, gás, bioenergia, complexo industrial da saúde, complexo industrial da defesa e complexo industrial do agronegócio, começando com construção civil.”

Considerações finais – “Eu quero pedir desculpa por uma injustiça involuntária que cometi, quando citei a esposa do juiz Sérgio Moro. Ele recebe o auxílio-moradia, tendo apartamento, e eu mencionei a sua esposa. Na verdade, ela não é juíza. Juíza é a esposa do juiz Bretas. Portanto, mil desculpas, por esse erro, mas continuo afirmando que há a necessidade de nós combatermos os privilégios. E eu não faço nada que não tenha dado, pessoalmente, o exemplo, nunca aceitei receber qualquer aposentadoria ou pensão, não fui morar em palácio, quando governador. Quero agradecer à Bandeirantes, ao Boechat, a todos os jornalistas, e aos competidores pelo elevado debate que nós vivenciamos hoje. Agradecer, principalmente, a você que ficou acordado até essa hora. Se você acha que o Brasil precisa mudar, estamos juntos nessa batalha. Eu tenho uma ideia, um sonho de servir ao Brasil e vou começar com o compromisso de restaurar a atividade econômica, gerando 2 milhões de empregos já no primeiro ano. Vou fazer você ser apoiado e ajudado, se você estiver com o nome sujo no SPC, vou lhe ajudar a tirar o seu nome sujo e, ao longo da campanha, eu demonstrarei objetivamente, como isso não é tão complicado de fazer. Pretendo inclusive, reforçar a questão da saúde das contas públicas para retomar o desenvolvimento. Claro que, neste momento, estamos apenas começando o primeiro debate. Não se decida agora, dê um tempo, observe os candidatos, veja quem são, de onde vieram, quais são as propostas que têm. E se são coerentes com aquilo que dizem. Que Deus abençoe o Brasil”.

Repórter Ceará com informações do G1 (Foto: Reprodução/TV Bandeirantes)

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