Editorial: 2 meses sem Danielle e as dribladas de Zé do Valério

24 de junho de 2019 às 09:24

Uma jovem de 20 anos e um homem que interrompeu sua vida através de um assassinato brutal. Este é o início do que se tornou um dos crimes mais emblemáticos da história do município de Pedra Branca, no Sertão Central do Ceará, que completa dois meses nesta segunda-feira, 24.

Por obsessão, em abril deste ano, nesta mesma data, Danielle de Oliveira Silva foi assassinada por José Pereira da Costa, o “Zé do Valério”. O caso chocou não só a população de Pedra Branca, mas de todo o Ceará e do Brasil, já que o assunto foi transmitido em rede nacional por telejornais da TV aberta.

O criminoso de 68 anos segue foragido, apesar de todas as tentativas das forças de segurança do Estado em capturar o assassino. Suas constantes fugas e invasões a residências para roubar comidas e mantimentos, colocando em jogo a vida e integridade de várias famílias, levam a crer que as polícias do Ceará, mesmo com seu departamento de inteligência e o poder de investigação da instância Civil, ainda falham nas articulações para capturar um dos homens mais procurados do Estado, deixando brechas, por descuido, que o permitem escapar por entre os dedos, diante de sua facilidade de lidar com as áreas de mata.

O sentimento causado, então, é de revolta, tanto na população como na família da jovem. Ver o nome de Danielle estampado em um editorial como este, por exemplo, e não ver que quem causou a morte dela ainda não foi preso, gera tristeza e raiva, fazendo com que as esperanças se percam um pouco a cada dia.

Diante disso, a família, cansada de esperar pela ação da Polícia, passou a oferecer uma recompensa para quem conseguisse capturar o criminoso: R$ 10 mil. Enquanto isso, a população segue querendo fazer justiça com as próprias mãos, o que causou transtornos ao redor do Ceará, já que vários senhores foram confundidos com o assassino. Em um dos casos, um homem residente do município de Acopiara foi embora do Estado temendo ser morto pela população por conta de sua aparência ser semelhante a de Zé do Valério.

A impunidade, até o momento, é a terceira palavra que resume este caso. O crime executado pelo vaqueiro mancha de sangue o seio de um família do Interior do Ceará, que está vendo cercos e ações em vão, enquanto a Polícia é driblada com tamanha facilidade. Ressalte-se que Valério já ultrapassou as fronteiras do Ceará e está, agora, em comunidades da zona rural do Piauí.

É importante observar que o esforço da Polícia é continuo, visto que todos os órgãos de segurança estão engajados nas buscas, mas também é preciso salientar que já são dois meses que a Justiça, neste caso, não é feita. Não cabe aqui um “é necessário”, já que as forças de segurança sabem o que fazem e ninguém quer ensinar Pai-Nosso a vigário. Porém, o Estado deve ter uma atenção maior em casos como estes.

Mulheres, por vezes, são desprezadas em delegacias ao denunciarem violências sexuais ou domésticas. São estigmatizadas diante um estereótipo machista da sociedade de que a mesma é a culpada pelo ocorrido e o crime segue impune.

Que haja mais ação e menos estereótipo. A família da jovem de 20 anos que cursava Administração continua sem ver a justiça e o criminoso continua em um ziguezague continuo. São 60 dias de impunidade que seguem sem solução. Que seja posto um fim nisso para que a família consiga ver preso quem lhe tirou um ente.

É necessário dar voz às vítimas, estar atento a detalhes. É preciso prender os “Zés do Valério” para evitar que hajam mais “Danielles” pelo Ceará.

Editorial do Repórter Ceará

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