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De forma pontual, partículas de queimadas na África mudaram céu de Fortaleza; Veja análise

As queimadas no Brasil, principalmente na Amazônia, ganharam destaque mundial neste mês após dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam o crescimento de 82% em relação ao ano de 2018, ao se comparar com o mesmo período de janeiro a agosto. No Brasil, foram 71.497 focos neste ano, contra 39.194 no ano passado.

Porém, entre o centro e o sul da África, na altura da República Democrática do Congo, Zâmbia e países vizinhos, as queimadas também têm sido uma constante, abrangendo uma extensa área desta região africana. E isto acabou impactando no norte do Ceará.

Por meio de fotografias foi possível perceber, na última semana, que o céu de Fortaleza, apresentou-se, pontualmente, menos límpido e com visibilidade horizontal reduzida. De acordo com o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) Raul Fritz, o que vem acontecendo é que parte da fumaça, material particulado e gases provenientes das queimadas que estão ocorrendo na África estão conseguindo cruzar o oceano Atlântico Sul, chegando ao no litoral cearense, incluindo Fortaleza.

“Usando informações provenientes do Serviço de Monitoramento da Atmosfera pelo Programa Copernicus (CAMS), foi possível comprovar que aerossóis (partículas sólidas suspensas na atmosfera) resultantes da queima de biomassa na África estavam, em determinados momentos, conseguindo chegar no Ceará, principalmente no norte do estado”, explica o pesquisador.

Fritz salienta ainda que, no norte da região Nordeste, os aerossóis têm chegado em menor concentração em virtude da longa distância percorrida, porém numa forma suficiente para produzir alterações na visibilidade e cor do céu, notadamente próximo ao pôr-do-sol.

“No monitoramento do movimento do monóxido de carbono (CO) liberado pelas queimadas na atmosfera, feito pela National Aeronautics and Space Administration (Nasa), é possível observar esse gás chegando no norte do Nordeste vindo da África. Também se vê, na figura, o gás liberado pelas queimadas na Amazônia.

Diferente do que se observa em relação ao continente africano, as partículas geradas pelas queimadas na Amazônia não chegam ao Ceará devido à circulação dos ventos.

“Ela [circulação] teria que ser contrária a que se apresenta atualmente. Já da África, a gente vê o movimento deles [aerossóis] se dá em nossa direção, ou seja, com propagação de leste para oeste”, finaliza o meteorologista da Funceme.

Mais dados

Apesar de apresentar casos menores em relação aos estado da região Norte do Brasil, o Ceará já registrou, este ano, 337 focos de queimadas este ano. De acordo com o Inpe, os picos no estado acontecem outubro e dezembro, quando as médias são maiores que mil. Em 2018, foram detectados 3034 focos no Ceará.

Estudo

Um dos estudos mais recentes da Funceme indica que o Ceará possui áreas de 20 municípios com alto risco de incêndios florestais. O projeto foi financiado pelo Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Estado do Ceará (FDID), tendo sido iniciado em 2017 e concluído neste ano.

De acordo com o pesquisador Manuel Rodrigues de Freitas Filho, coordenador do projeto e supervisor do Núcleo de Estudos Básicos da Funceme, o estudo levou em consideração mapeamentos temáticos do estado realizados pela Funceme, tais como: cobertura vegetal natural, uso e ocupação da terra, unidades de paisagem, pluviometria média anual e índice de vegetação. Veja mais detalhes clicando AQUI.

Repórter Ceará (Foto: Lívia do Nascimento Sampaio)

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